Acre registra 64 focos de queimadas em 2026; estiagem preocupa
Acre: 64 focos de queimadas em 2026; estiagem preocupa

O Acre registrou 64 focos de queimadas entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No primeiro semestre, foram 41 focos, número 43% inferior aos 72 do mesmo período de 2025. Contudo, com o início do verão amazônico e a estiagem, a tendência é de alta: apenas nos primeiros dez dias de julho, mais 23 focos foram detectados, elevando o total para 64 até a tarde de 10 de julho.

Monitoramento por satélites e dados municipais

O monitoramento do Inpe utiliza sensores em satélites meteorológicos e de recursos terrestres, que captam picos de temperatura na superfície. Ao identificar calor intenso, um algoritmo registra o local como foco de queimada. No Acre, Feijó liderou as ocorrências no primeiro semestre com 11 focos (26,8% do total estadual). Em seguida, Cruzeiro do Sul e Tarauacá aparecem com cinco focos cada (12,2%). Rodrigues Alves registrou quatro focos (9,8%), enquanto Rio Branco e Santa Rosa do Purus tiveram três cada (7,3%). Epitaciolândia, Mâncio Lima e Porto Walter contabilizaram dois focos (4,9% cada). Acrelândia, Assis Brasil, Jordão e Sena Madureira fecharam a lista com um foco cada (2,4% do total).

Defesa Civil de Rio Branco aponta números maiores

Apesar dos dados do Inpe, a Defesa Civil de Rio Branco registrou 80 focos de queimadas na capital até 10 de julho, o que representa 7% do total estadual. O coordenador da Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão, informou que o número é 45,5% menor que o do mesmo período de 2025, quando foram 147 focos (10,2% do estado). Historicamente, o pico de queimadas ocorre no segundo semestre, durante o verão amazônico, com redução de chuvas e aumento do uso do fogo para limpeza de áreas.

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Plano de contingência e influência do El Niño

Falcão afirmou que o plano de contingência para queimadas já está em execução, com medidas preventivas e combate integrado entre Defesa Civil, Secretaria de Meio Ambiente e Corpo de Bombeiros. "Cada órgão já executa suas ações. A Defesa Civil tem o plano de queimadas, a Secretaria de Meio Ambiente e o Corpo de Bombeiros que já atua no controle do fogo. As ações estão sendo colocadas em prática tanto individualmente por cada órgão quanto de forma integrada", destacou.

A professora da Ufac e especialista em queimadas, Sonaira Silva, alertou que o fenômeno El Niño pode intensificar as queimadas e incêndios. "El Niños acarretam em dias muito quentes, acima de 35 graus, e também nos efeitos de seca. Temos bastante evidência de que esse ano não será um El Niño comum, mas eles serão mais forte do que nos outros anos", explicou.

Contexto amazônico

Em todo o bioma amazônico, que abrange Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Amapá e partes do Mato Grosso e Maranhão, foram registrados 6.955 km² de focos até 10 de julho de 2026, segundo o Inpe.

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