Pedro Batista, de 21 anos, concilia o trabalho na construção civil com o balé e foi selecionado para participar do Festival de Dança de Joinville (SC), considerado o maior do país. A rotina do jovem se divide entre a obra e os ensaios em Ribeirão Preto (SP), onde conquistou uma bolsa de estudos em uma escola de dança há cerca de um ano.
Preconceito vindo de ambos os lados
Conciliar as duas atividades expôs Pedro ao preconceito tanto de colegas de obra quanto de dança. Na construção civil, parte dos companheiros ainda acredita que homem não pode dançar balé. "Na obra, a gente sofre um pouco de preconceito pelo fato de estar dançando. Homem dançar balé é um pouco mais mal visto assim", relata. Já no ambiente do balé, alguns colocam em descrédito sua iniciativa por ele ser servente de pedreiro. "No balé eu sinto um pouco desse preconceito quando eu falo que eu trabalho em obra, porque parece que estou invalidando o que eu estou fazendo aqui. É como se eu estivesse perdendo tempo", afirma.
Semelhanças entre balé e construção civil
Apesar das diferenças, Pedro descobriu que o balé e a construção civil têm mais em comum do que imaginava. "Ambos exigem força, ambos exigem técnica, porque se você acaba fazendo alguma coisa na obra, você vai se machucar também. São mundos distantes, mas, querendo ou não, são muito parecidos", explica. Ele utiliza aprendizados de um ofício no outro.
Dança como expressão e esperança
Para Pedro, a dança é a principal forma de expressar sentimentos e projetar o futuro. "Você pode expressar raiva, tristeza, felicidade. A dança é tudo. Você pode transmitir o que você quiser pela dança", diz. Ele também vê na arte uma maneira de levar esperança a outras pessoas, compartilhando sua rotina nas redes sociais. "Tudo o que eu almejo na minha vida é em torno da dança. O que eu quero é transmitir isso para mais pessoas", afirma. Quando pensa no que leva ao palco, a resposta é clara: "Eu expresso esperança. A dança ainda não é tão valorizada no Brasil. Tenho esperança de conseguir fazer algo por ela no país inteiro."
Paixão desde a infância
A paixão pela dança começou na infância, com clipes de hip hop na internet. "Sempre achei muito interessante a questão de como eles se moviam. Eu comecei no hip hop. Eu treinava em casa, treinava vendo vídeo no YouTube", conta. Até recentemente, essa era sua principal linguagem, até que conheceu o balé ao receber um papel em um espetáculo e uma bolsa de estudos. Foi uma virada de chave. Para viajar a Joinville, Pedro concilia a jornada na construção civil com bicos. "É uma verdade absoluta dentro de mim. O amor pela dança é o que me move", conclui.



