O fruto coité, também conhecido como cuieira, cabaça ou cuité, ganha nova vida nas mãos do artesão Enauro Rocha, natural de Atalaia e morador de Maceió. Ele transforma o fruto em luminárias artesanais, criando uma fonte de renda e, mais importante, encontrando uma forma de superar a depressão após um grave acidente que afetou suas capacidades motoras e cognitivas.
O que é o coité
Tradicionalmente usado como utensílio doméstico, o coité servia como escorredor de arroz, cuia para banho e pãozeira. No entanto, com a popularização do plástico e do alumínio, o fruto foi caindo no esquecimento nas últimas décadas. Enauro resgata essa tradição, dando um novo propósito ao fruto.
Processo de criação
A produção das luminárias começa meses antes. É necessário esperar cerca de três meses para o fruto secar completamente. Depois, a polpa é retirada, a casca é lixada, perfurada e recebe acabamento até se transformar em uma luminária. Cada peça é única e carrega a marca do trabalho manual.
Preservação da espécie
Para evitar a extinção da árvore do coité em Alagoas, Enauro distribui mudas e compra os frutos de outros produtores locais. Ele presentou muitas pessoas com mudas da árvore, e hoje isso se tornou uma fonte de renda, pois ele compra os frutos dessas pessoas. O desmatamento quase levou a espécie à extinção no estado, mas a iniciativa do artesão ajuda a preservá-la.
Acidente e superação da depressão
As conquistas com a arte vieram após um período difícil. Depois de sofrer um acidente, Enauro precisou interromper as atividades por orientação médica, mas o afastamento acabou afetando sua saúde mental. Ele conta que, quando se acidentou, o médico recomendou um ano sem trabalhar para se recuperar. Aos cinco meses, começou a entrar em depressão por não poder trabalhar. Sentia falta de usar as mãos para criar.
Mesmo enfrentando limitações físicas, ele decidiu voltar ao ateliê e retomar a produção. No início, não sabia usar o celular ou máquinas, e os desenhos saíam tortos, mas ele conseguiu dar a volta por cima. Embora ainda tenha problemas de memória, a arte permanece presente em sua vida.
Inspiração materna
Autodidata, Enauro diz que a inspiração para o trabalho manual veio de sua mãe, que fazia bordados e outros trabalhos minuciosos. Ele a via fazendo trabalhos pequenos e delicados, o que chamou sua atenção. Tentou segui-la e, a partir daí, desenvolveu suas habilidades.
A dedicação levou o artesão a participar de feiras pelo país. Depois de exposições em São Paulo, ele já conheceu grande parte do Brasil por meio do trabalho e se prepara para novos eventos, incluindo uma ida ao Rio de Janeiro neste ano.



