Neste domingo, 21, a Prefeitura de São Paulo receberá mais 500 ônibus elétricos, fabricados por Elektra e Volkswagen Caminhões e Ônibus, elevando a frota total da capital para 1,7 mil veículos eletrificados. A meta municipal é atingir 2,2 mil ônibus elétricos em operação até 2028.
Brasil lidera eletrificação na América Latina
Segundo estudo do Conselho Internacional do Transporte Limpo (ICCT), o Brasil ocupa a terceira posição no ranking de frota de ônibus elétricos na América Latina, atrás apenas de Chile e Colômbia. O avanço é puxado principalmente por São Paulo, que concentra mais de 80% dos 1,7 mil veículos elétricos circulantes no país até 2025.
Jefferson Hishiyama da Silva, autor do estudo do ICCT, destacou que o aumento da frota está centrado no transporte urbano, impulsionado por políticas públicas locais e linhas de financiamento. “Além de São Paulo, já observamos avanço em Belém, Brasília e Goiânia”, afirmou.
Investimentos e financiamento
A expansão conta com múltiplas fontes de financiamento. Em 2024, a prefeitura obteve US$ 100 milhões do Banco da China, R$ 1,4 bilhão (US$ 248,3 milhões) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e R$ 2,5 bilhões do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As entregas deste domingo fazem parte da linha do BNDES.
Projeções de crescimento
O ICCT estima cenários para a participação de ônibus elétricos no Brasil. No conservador, a fatia começa entre 5% e 10% em 2030 e se estabiliza entre 25% e 41% em 2050. No moderado, atinge 21% das vendas em 2030, 62% em 2040 e 92% em 2050. No ambicioso, as vendas já seriam de 55% em 2030, chegando a 92% a partir de 2040.
Desafios de infraestrutura
Apesar do avanço, o custo de aquisição e a infraestrutura de recarga ainda são barreiras, especialmente em cidades médias e menores. Silva ressaltou: “Esses municípios precisam de soluções diferenciadas. Ainda estamos navegando nesse assunto.”
Em São Paulo, a falta de infraestrutura elétrica levou a prefeitura a revisar a meta de 2,6 mil ônibus em 2024 para 2,2 mil em 2028. Jorge Carrer, diretor de vendas de ônibus da Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), afirmou que as garagens não estavam preparadas inicialmente. “Agora está pegando tração, mas a cidade ainda não conseguiu renovar a frota como planejava.”
Carrer explicou que os concessionários agora precisam comprovar infraestrutura elétrica instalada para encomendar veículos. “Houve entendimento entre prefeitura, operadores e a Enel.”
A Enel, distribuidora de energia de São Paulo, informou que entregou 92,72 MW de energia a 35 garagens até maio deste ano, suficiente para abastecer pelo menos 2 mil ônibus. “A utilização máxima das garagens não chegou a 50%, sendo que em maio foi de apenas 39%.”
Eletrificação de caminhões ainda engatinha
O relatório do ICCT aponta ritmo moderado na eletrificação de caminhões. Em 2025, foram vendidas 366 unidades elétricas leves e médias, com participação de 1,7%, lideradas por Volkswagen, JAC e Foton. Já os caminhões pesados tiveram apenas 53 vendas (0,06% do segmento), dominados pela XCMG.
Thiago Pastorelli Rodrigues, coautor do estudo, disse: “O custo de aquisição do veículo elétrico é duas vezes o de combustão. O preço e a falta de infraestrutura pública para carregamento ainda são entraves.”



