Orçamento de R$ 790 mi não resolve infraestrutura em Manaus
Orçamento de R$ 790 mi não resolve infraestrutura em Manaus

Moradores de Manaus continuam a enfrentar graves problemas de infraestrutura, mesmo com um orçamento milionário destinado à Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) para 2026. A Prefeitura reservou quase R$ 800 milhões para a pasta, mas ruas da capital amazonense ainda sofrem com rompimento de redes de drenagem, desabamentos e erosões, colocando famílias em risco e gerando prejuízos.

Problemas no bairro Cidade Nova

Um dos casos mais críticos ocorre na rua Professora Emília Grana, no bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus. Há mais de um mês, parte do terreno cedeu após o rompimento de uma rede de drenagem. As fortes chuvas agravaram a situação, provocando o desabamento de parte do terreno da residência do motoboy David da Silva. "Isso começou no dia 2. No dia seguinte choveu mais forte e foi arrastando tudo: o muro, a calçada...", relatou. Hoje, o acesso à casa é feito por um pequeno trecho de concreto que restou. A estrutura da residência está comprometida, e a família vive sob constante preocupação. "Meus filhos nem dormem mais aqui. Enviei eles para a casa de parentes. Só eu fico aqui e o tempo todo preocupado que aconteça algo mais grave", disse David.

A poucos metros dali, na rua 15, também no Cidade Nova, um rompimento na estrutura da rede de drenagem provocou o desmoronamento do pavimento, abrindo uma cratera que preocupa os moradores. As situações são consideradas urgentes, e a população cobra providências do poder público municipal.

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Orçamento milionário

De acordo com a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, a Prefeitura de Manaus dispõe de um orçamento total de R$ 12 bilhões, um aumento de 14,6% em relação a 2025. As áreas de Educação (R$ 3,2 bilhões), Saúde (R$ 1,89 bilhão) e Urbanismo (R$ 2,08 bilhões) concentram as maiores parcelas. Já a Seminf recebeu R$ 799,8 milhões para 2026, valor inferior aos R$ 881,4 milhões do ano anterior. Os recursos devem ser usados em obras, reparos e intervenções identificadas como necessárias.

Para o cientista político Carlos Santiago, a gestão municipal precisa estar mais próxima dos problemas da população. "O que a prefeitura precisa fazer é se identificar com essa cidade, saber exatamente onde estão as necessidades das obras. O que a gente percebe é um distanciamento. O atual prefeito já foi secretário de infraestrutura, então já deveria saber quais são os pontos mais sensíveis da capital", avaliou.

Enquanto aguardam soluções, os moradores afirmam que os problemas persistem sem resposta. "Estamos aqui esperando providências, mas a gente só recebe promessas", concluiu David da Silva.

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