A Igreja Matriz de Nossa Senhora de Sant'Ana, construída no século XVIII em Chapada da Natividade, enfrenta grave deterioração estrutural, com risco iminente de desabamento. Diante da situação, o Ministério Público do Tocantins (MPTO) emitiu uma recomendação urgente para que a Prefeitura e a Paróquia local adotem medidas emergenciais de restauração.
Estrutura em taipa e adobe ameaçada
A construção original utilizou técnicas tradicionais de taipa e adobe, típicas do período colonial. A Lei Municipal nº 176/2011 tombou o imóvel, garantindo proteção oficial. No entanto, o MPTO constatou que algumas paredes ruíram total ou parcialmente e parte da cobertura se perdeu, expondo o interior às intempéries.
O órgão estabeleceu um prazo de 10 dias para que o município e a paróquia executem medidas emergenciais, como a instalação de cobertura impermeável provisória e o reforço do escoramento das paredes, visando proteger a edificação contra chuvas e ventos.
Peças históricas serão catalogadas
As peças históricas – incluindo tijolos de adobe desprendidos, madeiras originais e imagens sacras – deverão ser recolhidas para catalogação e preservação, visando o reaproveitamento na futura restauração. O MPTO também estipulou um prazo de 30 dias para a elaboração de um plano completo de restauração.
Responsabilidades definidas
A Prefeitura de Chapada da Natividade deverá apresentar um cronograma detalhado de restauração, atualizar o orçamento elaborado em 2025 e fornecer engenheiros civis para acompanhar e fiscalizar as obras. Já a Paróquia Nossa Senhora de Sant'Ana deve colaborar ativamente na captação de recursos públicos e privados.
O prefeito Elio Dionizio de Santana informou que o escoramento da estrutura já foi realizado, mas afirmou que a prefeitura não tem condições de arcar com os custos da reforma. Segundo ele, o município buscará parceria com o governo estadual para viabilizar a restauração.
Desabamento em 2021
Em dezembro de 2021, parte da igreja desabou após vários dias de chuvas na região. O incidente gerou comoção entre os moradores, que já se preocupavam com a conservação do edifício. Na época, o padre Marcos Rabelo Campos, responsável pela paróquia, lamentou: “A comunidade perde um pedaço da sua história. Daqui a pouco, vão falar da igreja e os mais novos não vão saber como era o formato”.



