Idadismo em bairro nobre de SP: moradores querem expulsar idosos de ILPI
Idadismo em SP: moradores querem expulsar idosos de ILPI

Em maio de 2026, um bairro não pobre da capital paulista foi palco de um episódio de idadismo explícito. Moradores que se autointitulam "donos da rua" manifestaram indignação contra a presença de uma Instituição de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPI) na vizinhança. As queixas incluíam desvalorização imobiliária, barulho excessivo e incômodo com a rotina de cuidados dos idosos, que utilizam oxigênio e outros recursos tecnológicos para prolongar a vida.

O que aconteceu no bairro nobre de São Paulo

De acordo com relatos registrados por um grande jornal de alcance nacional, os manifestantes alegavam que a presença da ILPI desvalorizava suas casas, muitas adquiridas por compra ou herança. Além disso, reclamavam que os idosos gritavam em diversos horários e que "flertavam" diariamente com a morte, adiando-a com o uso de oxigênio e outros aparatos médicos. Um cinegrafista que registrava o ocorrido foi ameaçado.

O autor do artigo, que testemunhou os fatos, destaca que a situação reflete um profundo estranhamento entre o "Eu e o Outro" – ou seja, entre os idosos da ILPI e os moradores que também são, em sua maioria, pessoas envelhecidas. Dados do índice de envelhecimento da região mostram que há mais de 200 mulheres idosas para cada 100 pessoas de 0 a 14 anos, enquanto a média nacional é de 80. Paradoxalmente, o bairro é um território envelhecido onde muitos idosos estranham a presença de serviços voltados para a própria população idosa.

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Idadismo: uma violência silenciosa

O idadismo – discriminação com base na idade – é modulado em dimensões cultural, institucional, programática, interpessoal e interna. No caso relatado, os "donos da rua" argumentaram que juridicamente não se pode ter certas pessoas idosas morando em uma rua residencial. No entanto, o autor ressalta que rua residencial é local onde há residências e, nestas, residentes – seres humanos com direitos. "Querer expulsar esses moradores porque são velhos e velhas é uma atitude inadmissível, injusta, violenta e desumana", afirma.

O autor defende a ressignificação dos termos "velho" e "velha", tornando-os tão naturais quanto "criança" ou "adolescente". Ele lembra que, embora existam leis que possam limitar a presença de ILPIs em certos territórios, é necessário buscar articulação entre todos os segmentos sociais para reduzir a violência e garantir os direitos humanos das pessoas idosas.

Um chamado à sociedade

O texto conclui com um apelo urgente, especialmente neste mês de junho, dedicado à conscientização sobre violências contra idosos: "É urgente conclamar toda a sociedade para que valorize o presente e o futuro do país. Esse presente e futuro são velhos, grisalhos, com rugas e, por vezes, com dificuldade de mobilidade, mas ainda constroem, governam, amam e são importantes." O autor lembra que o Brasil tem mais de 36 milhões de pessoas idosas, todas dignas dos mesmos direitos humanos que qualquer outro cidadão.

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