Dois filhotes de boto-cinza foram flagrados na Baía de Guanabara pela equipe do Instituto Mar Urbano no fim do mês passado. As imagens foram registradas durante a Expedição Águas Urbanas, que há cinco anos monitora a biodiversidade marinha da região com o apoio das Águas do Rio e Oceanpact. Ao longo desse período, a expedição já documentou espécies de baleias, tubarões, raias e tartarugas-marinhas. Desta vez, dois filhotes, um de seis meses e outro com no máximo dois meses, foram avistados.
Monitoramento histórico
Os botos-cinza são monitorados por pesquisadores do MAQUA/UERJ desde a década de 1990. Durante esse período, a população sofreu uma forte redução devido à poluição, ao intenso tráfego de embarcações e a outros impactos ambientais que afetam a baía. Em 2014, segundo o Maqua, havia 40 botos; nos anos seguintes, o número estagnou em 30. A espécie é residente, passando toda a vida na baía ou enseada onde nasceu, mas poucos chegam à fase adulta. Vivem aproximadamente 20 anos e atingem a maturidade sexual aos 6 anos.
Importância dos filhotes
Para o Instituto Mar Urbano, cada novo filhote de boto representa um símbolo de resistência e reforça a importância de investir em ciência, conservação e recuperação ambiental para garantir um futuro mais saudável para a Baía de Guanabara e sua biodiversidade. O nascimento dos filhotes ocorre em um momento em que indicadores ambientais apontam avanços importantes. Dados recentes mostram que cerca de 133 milhões de litros de esgoto por dia deixaram de ser lançados na baía após melhorias no sistema de saneamento. Novas obras em andamento devem ampliar ainda mais esse volume nos próximos anos.



