Na noite da última sexta-feira (12), um bolo em homenagem a Santo Antônio foi arrematado por R$ 50,5 mil durante um leilão promovido pela Paróquia de Santo Antônio em Quixeramobim, no interior do Ceará. O município tem o santo como padroeiro. O bolo possuía dois andares e cerca de 1,8 metro de comprimento, sendo adquirido por um empreendedor local, conhecido como Baixinho do Parque, que administra um parque de diversões itinerante.
Comprador celebra retorno ao leilão
Baixinho é conhecido na cidade por ter arrematado o bolo por vários anos consecutivos, mas nos últimos dois anos não havia conseguido o feito. Após vencer a disputa de 2026, ele celebrou no palco do evento. "Eu trabalho para fazer o que gosto e gastar o que ganho, não é para guardar, dinheiro guardado não vale nada. Eu quero é brincar", disse Baixinho.
O leilão faz parte das celebrações do dia de Santo Antônio, comemorado neste sábado, 13 de junho. A programação conta com treze dias de missas, procissões, feirinha e outras atividades. O leilão contou com a participação de fiéis, empresários, políticos e do prefeito da cidade, Cirilo Pimenta (PT), que parabenizou Baixinho.
Tradição dos leilões paroquiais
Os leilões paroquiais são tradicionais no interior do Ceará e geralmente ocorrem nas novenas dos santos padroeiros. Os fiéis costumam doar os itens do leilão, chamados de "prendas", que vão de alimentos, animais a eletrodomésticos. Os itens costumam ser arrematados com valores mais altos que normalmente teriam, como forma de ajudar a paróquia a arrecadar fundos.
Na manhã deste sábado (13), o perfil do parque de diversões de Baixinho nas redes sociais anunciou que o bolo seria repartido entre a população. "Agradecemos a toda a população de Quixeramobim que esteve presente, contribuindo e mantendo viva essa bela tradição de fé, união e solidariedade. Que Santo Antônio continue abençoando todas as famílias, trazendo paz, saúde e prosperidade", publicou.
Conforme a paróquia, o valor arrecadado com o leilão das prendas é utilizado tanto no sustento das atividades paroquiais quanto nas obras de caridade desenvolvidas pela igreja na região.
Bolo como tradição e homenagem
Além do bolo, outras prendas também foram leiloadas, como tortas e galinhas. No entanto, nos últimos anos o bolo de Santo Antônio ganhou status de peça principal do leilão, sendo arrematado por valores altos. Em 2023, o bolo foi arrematado por R$ 40,4 mil. Em 2024, o valor chegou a R$ 50,1 mil. Em 2025, ficou em R$ 50 mil, e agora subiu a R$ 50.500, considerado um novo recorde.
O bolo recordista foi feito pela confeiteira Nayara Almeida, que trabalha no setor há 19 anos. Este é o segundo ano consecutivo que Nayara prepara o bolo de Santo Antônio, que costuma ser encomendado por fiéis e doado para a paróquia realizar o leilão. "Eu acho muito interessante essa participação dos fiéis, da população, dos empresários que estão ali dando os lances. Essa brincadeira toda, ela anima muito. E assim, fiquei muito emocionada, muito feliz pelo valor", disse Nayara ao g1.
Detalhes da confecção do bolo
O bolo deste ano tinha dois andares, massa branca amanteigada e recheio de brigadeiro. Para prepará-lo, foram necessários 20 quilos de massa de trigo, 180 ovos, 14 quilos de pasta americana e 18 quilos de ganache. A parte de baixo do bolo tinha 1,8 metro de comprimento, enquanto a parte de cima tinha 80 centímetros por 60 centímetros. No topo, havia uma imagem de Santo Antônio e uma imagem da igreja matriz da cidade, feitos de resina, para o ganhador do leilão guardar como lembrança. Devido ao tamanho, a confeiteira não conseguiu pesar o doce, mas para levantá-lo foram necessários quatro homens. O bolo foi transportado da confeitaria à paróquia na carroceria de uma picape.
Nayara conta que aceitou o desafio de produzir o bolo nos últimos dois anos em homenagem à avó, dona Marica, que costumava levá-la à festa de Santo Antônio. A avó faleceu há cerca de dois anos e, hoje, empresta seu nome à confeitaria de Nayara. "Eu sempre estava com ela, acompanhando as festas de Santo Antônio, as caminhadas da madrugada, e sempre gostei muito dessa área da confeitaria. E quando eu comecei a trabalhar na parte da confeitaria, ela sempre ia para os leilões, olhava para os bolos, aí dizia assim: 'Se tu fizesse ia ficar melhor'", relembra Nayara. "Ano passado, como eu não a tinha mais aqui, eu decidi aceitar o desafio de fazer o bolo, sempre com o pensamento de que se ela estivesse aqui, ela estaria adorando ver o trabalho que eu fiz".



