Falta de oportunidades e baixos salários impulsionam desmatamento no Amazonas, aponta relatório
Baixos salários e falta de oportunidades impulsionam desmatamento no AM

Um novo relatório do projeto Amazônia 2030, divulgado em junho, revela que a falta de oportunidades econômicas e os baixos salários, especialmente entre os jovens, estão aumentando a pressão política que favorece o desmatamento no Amazonas. O estudo, intitulado “Rematamento Produtivo, Conservação e Desenvolvimento Econômico na Amazônia Brasileira”, aponta que a informalidade e a vulnerabilidade social na Amazônia Legal fazem com que parte da população veja a preservação ambiental como um obstáculo ao desenvolvimento, devido à escassez de alternativas de renda.

Renda média na região é 40% menor que no resto do país

De acordo com o relatório, o rendimento médio por pessoa no Amazonas é de R$ 654 por mês, valor significativamente inferior aos R$ 1.074 registrados no restante do Brasil. Essa disparidade econômica contribui para que a conservação ambiental seja percebida como uma ameaça ao sustento das famílias. “Ações de comando e controle são importantes, contudo, sem alternativas econômicas viáveis, são vistas localmente como uma ameaça ao futuro e, portanto, resistidas”, avalia Denis Minev, CEO de uma loja de varejo e investidor em iniciativas sustentáveis na região, em depoimento citado pelo relatório.

Comportamento eleitoral favorece projetos de risco ambiental

A situação econômica também influencia as urnas e o comportamento eleitoral no Amazonas. O eleitorado tende a apoiar propostas que prometem empregos e projetos de infraestrutura imediata, mesmo que tragam riscos ambientais associados. Essa dinâmica política dificulta a implementação de políticas de conservação e favorece o avanço do desmatamento.

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Amazonas já perdeu 8 milhões de hectares de floresta

O relatório mostra que o Amazonas concentra a maior parte da chamada “Amazônia Florestal”. Essa área já perdeu cerca de 8 milhões de hectares de floresta, e metade desse desmatamento ocorreu depois de 2004, indicando que a destruição segue avançando sobre áreas ainda preservadas. Pesquisadores alertam que a expansão da infraestrutura sem planejamento pode levar a Amazônia ao “ponto de não retorno”, com impacto direto nas chuvas e no clima de todo o Brasil.

Rematamento produtivo como alternativa

O relatório propõe o “rematamento produtivo” como alternativa para reduzir o desmatamento e combater a pobreza. A ideia é usar áreas já desmatadas ou pastagens degradadas para o plantio comercial de espécies tropicais e nativas de alto valor. Diferente de projetos de reflorestamento voltados apenas ao meio ambiente, o modelo busca criar cadeias produtivas em larga escala, gerar empregos permanentes e melhor remunerados no Amazonas. O plano também prevê atrair investimentos privados e conectar o estado a mercados da bioeconomia no Brasil e no exterior.

Amazonas lidera conservação, mas pressão sobre a floresta persiste

Apesar de o Amazonas liderar a conservação com uma área protegida maior que o território do Uruguai, a pressão sobre a floresta em pé continua. O estudo reforça que, sem alternativas econômicas viáveis, a preservação ambiental enfrenta resistência local e desafios políticos significativos.

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