Amazonas tem mais procurados pela Justiça que presos no sistema prisional
Amazonas: procurados superam presos no sistema prisional

O Amazonas possui 8.716 pessoas procuradas pela Justiça, número superior ao total de 8.581 detentos no sistema prisional estadual, conforme dados do Sistema de Execução Penal do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) consultados pelo g1. A discrepância evidencia que a quantidade de mandados de prisão pendentes de cumprimento ultrapassa a população carcerária atual.

Perfil da população carcerária

Dos 8.581 presos, 8.275 são homens (96,4%) e 304 são mulheres. Quanto à situação jurídica, 4.110 cumprem pena definitiva, 3.399 aguardam julgamento em prisão preventiva, 793 cumprem pena em execução provisória, 202 foram presos em flagrante, 35 cumprem prisão civil, dez estão em prisão temporária e 32 permanecem internadas por determinação judicial. Além disso, 502 pessoas são monitoradas por tornozeleira eletrônica.

Faixa etária e raça

A maior parte dos detentos tem entre 20 e 40 anos: 3.028 têm de 20 a 30 anos e 2.999 de 30 a 40 anos. Há ainda 1.475 pessoas de 40 a 50 anos, 546 de 50 a 60 anos, 223 de 60 a 70 anos, 49 de 70 a 80 anos e quatro com mais de 80 anos. Em relação à raça/cor, o sistema registra 3.712 pardos, 289 brancos e 228 pretos; outros 1.615 estão classificados em outras categorias e em 2.527 casos a informação não foi registrada.

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Grupos vulneráveis

O levantamento aponta 276 idosos, 24 pessoas com deficiência, 12 pessoas em situação de rua e uma mulher lactante entre a população prisional.

Superlotação nas unidades

Um levantamento do Ministério Público do Amazonas (MPAM) revela que a maioria das unidades prisionais do interior opera acima da capacidade. Entre outubro de 2025 e maio de 2026, promotores vistoriaram 62 unidades (54 delegacias e oito unidades prisionais). Dessas, 42 (67,7%) estavam superlotadas, enquanto 20 funcionavam dentro da capacidade prevista. O diagnóstico também apontou que 61,3% das unidades vistoriadas tinham efetivo insuficiente para a demanda de custódia.

Em nota, o MPAM informou que o levantamento servirá de base para medidas administrativas e diálogo com os órgãos responsáveis pela administração do sistema prisional. O g1 procurou a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) para saber sobre ações para localizar os procurados e enfrentar a superlotação, mas não obteve resposta até a última atualização.

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