Entre janeiro e maio de 2026, 78% das vítimas de feminicídio registradas no Amazonas tinham mais de 35 anos, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). Dos nove casos, quatro foram cometidos com arma branca, como facas, o que representa 44% do total.
Perfil dos crimes e uso de arma branca
As ocorrências foram registradas em Manaus (4), Barcelos (1), Carauari (1), Coari (1), Manaquiri (1) e São Gabriel da Cachoeira (1). Os dados são baseados em boletins de ocorrência da Polícia Civil e laudos do Instituto Médico Legal. Além dos quatro feminicídios com arma branca, dois ocorreram por agressões físicas e em outros dois o meio não foi identificado.
Um dos crimes aconteceu em 8 de março, Dia Internacional da Mulher. A vítima, Roseane Nicolau Canuto, de 39 anos, foi morta a facadas. O marido, Hiure Felintro da Silva, de 28 anos, foi preso e confessou o crime, motivado por ciúmes, segundo ele.
Especialistas alertam para subnotificação
A presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AM, Alessandrine Silva, afirma que a faca, por ser um objeto doméstico de fácil acesso, é usada como instrumento de agressão. “Essa arma branca, a faca, que é doméstica e está ali de fácil acesso, é também esse objeto que esse violentador vai depositar todo o ódio e violência que ele obtém contra essa mulher. E aí a gente fala da misoginia embutida nessas violências”, disse.
A advogada criminalista Natividade Maia alerta para a subnotificação, especialmente em tentativas de feminicídio. “Creio firmemente que há muitos casos de tentativa de feminicídio que são subnotificados, porque essas situações ocorrem dentro do lar, na maioria das vezes, e a própria família, vizinhos ou pessoas mais próximas interferem no evento e se ‘resolvem’ em família”, afirmou. Ela cita dependência econômica, crenças religiosas e falta de moradia como barreiras para romper o ciclo de violência.
Resposta da SSP-AM
A SSP-AM informou que o combate à violência contra a mulher é integrado entre PMAM (Ronda Maria da Penha), PC-AM, Corpo de Bombeiros e DPTC. Nenhuma mulher acompanhada pela Ronda Maria da Penha foi vítima de feminicídio, segundo a pasta. Apesar do aumento em relação a 2025 (seis casos), o número atual (nove) permanece abaixo dos maiores acumulados históricos. A projeção é de 20 feminicídios até o fim de 2026, mesmo total de 2025.



