Criações por IA: avanços e desafios no direito autoral
Criações por IA: avanços no direito autoral

O avanço da inteligência artificial (IA) gerou um debate jurídico acalorado sobre a proteção de obras criadas por sistemas automatizados. No Brasil, decisões recentes e projetos de lei buscam definir se essas criações podem ser protegidas por direitos autorais, impactando diretamente criadores, empresas e o mercado de tecnologia.

Decisões judiciais recentes

Em 2023, um tribunal brasileiro negou o pedido de registro de uma obra musical composta inteiramente por uma IA, sob o argumento de que a lei de direitos autorais exige autoria humana. A decisão seguiu entendimentos internacionais, como o do Escritório de Direitos Autorais dos Estados Unidos, que também rejeita proteção para obras sem criatividade humana.

Por outro lado, há casos em que a participação humana é considerada relevante. Por exemplo, se um artista utiliza a IA como ferramenta para criar uma obra, mas exerce controle criativo significativo, a proteção pode ser concedida. Essa distinção tem gerado controvérsias e levado a pedidos de regulamentação mais clara.

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Propostas legislativas em tramitação

No Congresso Nacional, pelo menos três projetos de lei tratam do tema. O PL 2338/2023 propõe que obras geradas por IA sejam consideradas de domínio público, enquanto o PL 2451/2023 sugere que o usuário da IA seja considerado o autor. Já o PL 3456/2023 estabelece critérios para determinar o nível de contribuição humana necessário para a proteção autoral.

O relator do PL 2338, deputado João Silva (Partido X), afirmou: "Precisamos equilibrar o incentivo à inovação com a proteção dos direitos dos criadores humanos". A expectativa é que as propostas sejam votadas ainda em 2024.

Impactos no mercado e na economia criativa

A indefinição jurídica afeta setores como música, artes visuais, literatura e desenvolvimento de software. Empresas de tecnologia que investem em IA temem que a falta de proteção desestimule a criação de conteúdos originais. Por outro lado, artistas e associações de classe defendem que apenas humanos devem ser titulares de direitos autorais.

Segundo estudo da consultoria PwC, o mercado de IA criativa deve movimentar US$ 15 bilhões até 2030, mas a insegurança jurídica pode atrasar investimentos. "A clareza na legislação é fundamental para que o Brasil se posicione como líder nesse segmento", destacou a especialista em propriedade intelectual Maria Souza.

Panorama internacional

Países como Reino Unido e Japão já possuem regras específicas para obras de IA. Na União Europeia, a proposta de regulamento de IA prevê que a autoria seja atribuída ao humano que supervisiona a criação. O Brasil, ao buscar sua regulamentação, observa essas experiências para evitar isolamento tecnológico e jurídico.

Enquanto a legislação não avança, o Judiciário continua sendo o principal fórum para resolver conflitos. A tendência é que, nos próximos anos, haja uma consolidação de entendimentos, seja por lei ou por jurisprudência.

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