A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou, por seis votos a um, o relatório que conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar em 1976. O documento contesta a versão oficial de que JK morreu em um acidente automobilístico na Via Dutra.
Segundo a relatora, professora Maria Cecília Adão, JK foi atraído para uma reunião em um hotel com emissários do então presidente Ernesto Geisel. No local, seu motorista pode ter sido sedado e o veículo sabotado antes da viagem de carro. Um caminhoneiro que estava atrás do caminhão no qual o carro colidiu testemunhou que o motorista parecia desacordado antes da colisão.
O relatório identifica 37 fraudes na investigação original, incluindo a chegada de militares ao local do acidente cerca de 20 minutos após a ocorrência para adulterar provas, manipulação de testemunhas e alteração do horário do óbito. Laudos indicam que JK morreu às 20h50, cerca de três horas após o acidente, mas os registros oficiais divergem.
Outros pontos destacados são a falta de exame toxicológico para verificar envenenamento, o desmantelamento do veículo e a retirada do diário de JK do carro após o acidente. A comissão também menciona uma notícia publicada três dias antes da morte informando que JK poderia morrer em um acidente na mesma rodovia.
Com a aprovação do relatório, a CEMDP atuará para retificar a certidão de óbito de JK, conforme resolução do Conselho Nacional de Justiça.



