Flávio Bolsonaro chega aos EUA para audiência sobre tarifas contra o Brasil
Flávio Bolsonaro chega aos EUA para audiência sobre tarifas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos neste domingo (6) para participar de uma audiência pública sobre as tarifas comerciais impostas pelo governo americano contra produtos brasileiros. A viagem ocorre em meio ao recrudescimento das tensões comerciais entre os dois países, com o governo Trump mantendo a sobretaxa de 25% sobre o aço brasileiro e ameaçando ampliar as barreiras para outros setores.

Audiência em Washington

A audiência, marcada para esta segunda-feira (7) no Congresso dos EUA, foi convocada para discutir os impactos das tarifas sobre a economia brasileira e as possibilidades de negociação. Flávio Bolsonaro foi convidado como representante do Parlamento brasileiro, após articulação do embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster. O senador deve defender a abertura de um canal de diálogo direto com a Casa Branca para evitar a escalada da guerra comercial.

Segundo fontes diplomáticas, o governo brasileiro busca uma solução negociada, mas enfrenta resistência de setores protecionistas nos EUA. "A tarifa de 25% sobre o aço já custou ao Brasil cerca de US$ 1,2 bilhão em exportações perdidas no último ano", afirmou o senador antes de embarcar. "Precisamos mostrar que o Brasil é um aliado estratégico, não um adversário comercial."

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Impactos na economia brasileira

As tarifas americanas afetam diretamente a indústria siderúrgica brasileira, que responde por 2% do PIB nacional e emprega mais de 180 mil trabalhadores. A Associação Brasileira de Siderurgia (IABr) estima que as exportações de aço para os EUA caíram 40% desde a imposição das tarifas em 2018. Além do aço, há preocupação com possíveis tarifas sobre alumínio, etanol e suco de laranja, produtos que juntos somam US$ 4,5 bilhões em vendas anuais ao mercado americano.

O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, avalia que "a guerra comercial entre EUA e Brasil pode ter efeitos indiretos sobre a inflação e o câmbio, mas o impacto direto é limitado a setores específicos. O risco maior é o contágio para outros produtos."

Reações políticas

A viagem de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de tensão política interna, com o senador sendo alvo de críticas da oposição por supostamente usar o cargo para beneficiar interesses privados. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou que "a agenda de Flávio nos EUA é uma cortina de fumaça para desviar a atenção dos problemas reais do Brasil, como o desemprego e a inflação."

Já o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, declarou que "a participação do senador Flávio Bolsonaro na audiência é um gesto de boa vontade e demonstra o compromisso do Brasil em buscar soluções pacíficas para as disputas comerciais."

Próximos passos

Após a audiência, Flávio Bolsonaro deve se reunir com representantes do setor siderúrgico americano e com membros da Câmara de Comércio Brasil-EUA. O senador também planeja encontros com investidores em Nova York para discutir oportunidades de negócios. A expectativa é que o governo Trump anuncie, nas próximas semanas, a extensão das tarifas para novos produtos brasileiros, o que pode agravar ainda mais a crise comercial.

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