A cúpula do Partido Liberal (PL) lidera o ranking dos maiores salários pagos a dirigentes partidários em 2025, segundo levantamento do Estadão baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A prestação de contas dos partidos para as despesas realizadas no ano passado foi encerrada nesta terça-feira, 30 de junho.
Maiores salários são do PL
Dos dez maiores rendimentos mensais pagos pelas siglas em 2025, seis são de dirigentes do PL, incluindo o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Além deles, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também figura com um dos maiores vencimentos mensais do período.
As maiores médias nos rendimentos são da cúpula da PL, como Valdemar Costa Neto, presidente nacional da legenda, e José Tadeu Candelária, presidente do diretório paulista. O rendimento médio deles foi de R$ 33,7 mil mensais. O casal Bolsonaro também figura entre os que receberam o maior valor médio por mês. Assim como Valdemar e Candelária, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teve um salário médio de R$ 33,7 mil. Ela deixou o comando da ala feminina da sigla, o PL Mulher, em meio ao embate com seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pela sigla. Jair Bolsonaro é o “presidente de honra” do PL e registrou um rendimento médio de R$ 32,7 mil.
O PL conta com mais dois nomes entre os dirigentes mais bem pagos no ano passado: Luiz Henrique Sampaio Guimarães ganhou R$ 33,7 mil mensais, e Eduardo Cury, ex-prefeito de São José dos Campos (SP) e ex-deputado federal, R$ 29,3 mil por mês.
PRD e Podemos também se destacam
Depois do comando do PL, os maiores salários são da executiva do Partido Renovação Democrática (PRD). Ovasco Resende e Marcos Vinícius Ferreira, conhecido como “Neskau”, tiveram um rendimento médio de R$ 31 mil cada. Eles são egressos das siglas que originaram o PRD. Resende presidiu o Partido Republicano Progressista (PRP), extinto em 2019, quando se incorporou ao Patriota, que se fundiu ao PTB em 2023 para formar o PRD. Já Neskau é ex-genro de Roberto Jefferson, ex-cacique do PTB que está em prisão domiciliar.
O PRD é federado ao Solidariedade. Enquanto Marcos Neskau preside a sigla, Ovasco Resende dirige a federação.
Entre os dirigentes mais bem pagos de 2025, o pessedista João Francisco Aprá é o único que teve os rendimentos bancados por um diretório estadual. Ele recebeu, em média, R$ 29,9 mil mensais do diretório paulista do PSD. O empresário já ocupou cargos comissionados em secretarias paulistas e é um dos vice-presidentes da legenda de Gilberto Kassab.
Em nota, o PSD informou que a remuneração do dirigente é relativa à sua atuação como secretário-geral da sigla em São Paulo. Segundo o partido, João Aprá “possui longa e bem-sucedida carreira tanto no setor público como na vida político partidária” e “é um dos responsáveis pelo estabelecimento das fortes estruturas do PSD”.
Entre os dez maiores rendimentos do ano passado, dois são de dirigentes do Podemos. A presidente nacional da legenda, a deputada federal Renata Abreu, recebeu doze pagamentos com valor médio de R$ 26,8 mil, assim como Thiago Milhim, ex-secretário de Esportes da cidade de São Paulo, e Everaldo Pereira, conhecido como Pastor Everaldo, vice-presidente do Podemos.
Ex-cacique do Partido Social Cristão (PSC), que se fundiu ao Podemos em 2023, Everaldo candidatou-se a presidente nas eleições de 2014, terminando o pleito em quinto lugar, com 780.513 votos.
Fundo Partidário turbinado em ano eleitoral
Em 2025, o PL recebeu R$ 192,1 milhões do Fundo Partidário, que custeia as atividades do dia a dia dos partidos políticos, como aluguéis, contas de luz e água, passagens aéreas e serviços de advocacia e de contabilidade. A maior parte das verbas do Fundo Partidário provém de recursos públicos, oriundos do Orçamento da União.
As verbas são distribuídas mensalmente e de forma proporcional à votação do partido na eleição para a Câmara. O PL, que elegeu a maior bancada de deputados federais em 2022, recebe o maior montante durante os quatro anos de legislatura. O PT, detentor da segunda maior bancada na Câmara, recebeu R$ 140,4 milhões do Fundo em 2025.
Como mostrou o Estadão, os cofres dos partidos políticos estão turbinados às vésperas das eleições de 2026, ano em que as verbas públicas destinadas às legendas é recorde. Embora na máxima histórica, os repasses seguem marcados por falta de transparência, com prestação de contas tardias, e concentração desigual de recursos.
Limites e natureza dos pagamentos
O advogado Antonio Carlos de Freitas Júnior explica que não há limite de remuneração para um empregado de uma sigla, mas a soma das folhas de pagamento não deve ultrapassar 50% dos gastos partidários no âmbito federal. Além do limite global, os salários também exigem o pagamento de encargos sociais e tributos. “Desse modo, seja para dirigentes ou para outras pessoas que prestam serviços, os partidos costumam optar pelo pagamento por serviços prestados. Além de simplificar as questões tributárias e de encargos sociais, esse pagamento não é limitado pelo teto”, disse Freitas Júnior.
A base de dados do TSE contém despesas pagas pelos partidos como “salários” e outras, como “serviços técnico-profissionais”. Entre os pagamentos do segundo tipo, há débitos recorrentes, com frequência mensal e destinados a pessoas físicas, funcionando, na prática, como salários. Para chegar aos maiores salários, o levantamento do Estadão considerou a média de rendimentos de filiados que receberam de 10 a 14 pagamentos no ano por “serviços técnico-profissionais”.
Procurados, PL, Podemos e PRD não responderam ao pedido de esclarecimento.



