O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira, 10 de julho de 2026, a ampliação do prazo máximo de financiamento ao exportador no âmbito do Programa de Financiamento às Exportações (Proex). A medida estende o prazo de 2 para 3 anos, conforme resolução publicada pelo Banco Central.
Detalhes da ampliação do prazo do Proex
A decisão do CMN altera as condições do Proex Financiamento, que concede crédito a empresas exportadoras com taxas de juros subsidiadas. Anteriormente, o prazo máximo era de 24 meses; agora passa a ser de 36 meses. A mudança vale para operações contratadas a partir da data da publicação da resolução.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a ampliação atende a pleitos do setor produtivo, que alegava necessidade de prazos mais longos para equalizar a competitividade com concorrentes internacionais. "Com prazos maiores, as empresas brasileiras podem oferecer condições mais atrativas aos compradores estrangeiros, especialmente em setores como máquinas e equipamentos", afirmou o secretário de Comércio Exterior, em nota.
Impactos esperados para exportadores
A medida deve beneficiar principalmente pequenas e médias empresas, que dependem do Proex para financiar suas vendas externas. Dados do Banco Central indicam que, em 2025, o programa desembolsou cerca de R$ 8,5 bilhões em financiamentos, com prazo médio de 18 meses. Com a extensão, estima-se que o volume de operações possa crescer até 15% nos próximos 12 meses.
O Proex é um dos principais instrumentos de apoio às exportações brasileiras, operando em duas modalidades: Financiamento e Equalização. A modalidade Financiamento concede crédito direto ao exportador, enquanto a Equalização subsidia a taxa de juros em operações de mercado. A ampliação do prazo abrange apenas a primeira modalidade.
Reações do setor produtivo
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) elogiou a decisão do CMN. "É um avanço importante para melhorar a competitividade das exportações brasileiras. O prazo maior permite que empresas de setores com ciclos de produção mais longos possam acessar o programa", disse o presidente da CNI, em comunicado. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também manifestou apoio, ressaltando que a medida "alinha o Brasil a práticas de países concorrentes".
Por outro lado, especialistas em comércio exterior alertam que a ampliação do prazo não resolve problemas estruturais, como a burocracia e o custo tributário. "O Proex é um instrumento relevante, mas precisa ser acompanhado de reformas mais amplas para que o Brasil aumente sua participação no comércio global", afirmou a economista-chefe de uma consultoria internacional.
Próximos passos
A resolução do CMN entra em vigor imediatamente. O Banco Central deve publicar normas complementares para regulamentar a operacionalização do novo prazo. O Ministério da Fazenda informou que a medida não implica aumento de gastos fiscais, pois se trata de alteração nas condições de crédito, e não de ampliação do orçamento do programa.



