A vereadora Nalvinha Melo (PDT), de Piripiri (PI), foi liberada após pagar fiança de R$ 20 mil, mas a investigação da Polícia Federal (PF) aponta que sua irmã e seu cunhado concentraram as maiores movimentações financeiras na conta da parlamentar. Um relatório obtido pelo g1 revela indícios de participação do casal em um suposto esquema de desvio de recursos públicos.
Prisão em flagrante e saque de R$ 500 mil
Nalvinha Melo foi presa em flagrante no dia 24 de junho, em uma agência do Banco do Brasil em Piripiri, logo após sacar R$ 500 mil em dinheiro vivo. A defesa informou que o valor seria usado na compra de um imóvel e que a origem e o uso serão comprovados na Justiça. A vereadora está em liberdade provisória desde a audiência de custódia em 25 de junho.
Família envolvida em empresas suspeitas
Segundo a PF, a vereadora, a irmã Francimary Coelho de Melo, o cunhado Francisco Leonardo de Castro Bezerra Melo e uma sobrinha integram o quadro societário de uma empresa localizada em Fortaleza (CE) que recebeu cerca de R$ 14,3 milhões de prefeituras entre 2022 e 2026. O órgão identificou transações de 12 municípios do Ceará, Piauí, Paraíba e Rio Grande do Norte para a empresa e apura se houve desvio de verbas públicas nos contratos municipais.
Uma decisão judicial proíbe o contato de Nalvinha com os três familiares por qualquer meio de comunicação, inclusive por intermédio de terceiros ou redes sociais. Ela também deve manter distância mínima de 200 metros.
Movimentações atípicas e lavagem de dinheiro
Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf aponta que a vereadora tem ligação com mais sete empresas que apresentam séries de transações suspeitas. Das sete, três estão ativas — duas em Piripiri e uma em Fortaleza. A Justiça suspendeu as atividades econômicas de Nalvinha nessas empresas durante a investigação.
As movimentações suspeitas de lavagem de dinheiro na conta bancária da vereadora ocorreram entre fevereiro de 2025 e maio de 2026. O relatório da PF aponta que mais de R$ 2,8 milhões foram movimentados no período, considerados atípicos e incompatíveis com a renda de R$ 16 mil declarada pela vereadora.
Indiciamento e medidas cautelares
Nalvinha Melo foi indiciada por lavagem de dinheiro após a prisão em flagrante. A PF afirmou: "A justificativa apresentada de utilização de numerário em espécie para transação imobiliária de alto valor reforça a suspeita de lavagem de capitais, dada a deliberada escolha por meio de pagamento que dificulta a rastreabilidade financeira." Com a vereadora, foram apreendidos o dinheiro em espécie, comprovantes bancários e um celular.
Além da fiança, a Justiça impôs medidas cautelares: comparecimento à Justiça a cada dois meses, proibição de sair de casa sem autorização, proibição de contato com pessoas definidas pela investigação e afastamento da administração de uma empresa de material de construção da qual é sócia.
Nota da defesa
A defesa declarou: "A defesa já atua no caso e, neste primeiro momento, obteve a concessão da liberdade da investigada, por reconhecer o Poder Judiciário a ausência dos requisitos que justificassem a manutenção da prisão cautelar. Cumpre destacar que a realização de saque de vultosa quantia em espécie, por si só, não constitui fato típico previsto no ordenamento jurídico brasileiro, não sendo suficiente para caracterizar qualquer ilícito penal."



