O Partido Liberal (PL) anunciou que avalia uma ação de improbidade administrativa contra agentes públicos do governo estadual do Ceará após denúncias de que uma plantação com cerca de 290 mil pés de maconha, localizada em Acopiara, no interior do estado, foi deixada sem vigilância e sem incineração, sendo apenas enterrada. As acusações foram feitas pelo deputado federal André Fernandes (PL) nesta sexta-feira (3).
Polícia Civil afirma que destruição foi concluída
Em resposta, a Polícia Civil do Ceará informou que a operação de destruição e incineração da plantação foi finalizada na quinta-feira (2) e que "o que o parlamentar citado na demanda encontrou foram restos da referida plantação e de outras plantas do terreno destruídas". A corporação detalhou que a técnica utilizada pelo Corpo de Bombeiros consistiu em cavar valas, queimar as plantas com gasolina e óleo diesel e, em seguida, cobrir o material com terra para evitar a propagação do fogo.
PL aciona MPF, PF e MPCE
O PL também acionou o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), requerendo "a apuração dos novos fatos, a preservação das provas, a identificação de todos os agentes públicos envolvidos e a apresentação da íntegra dos documentos oficiais relativos à operação". O partido afirma que, caso as investigações confirmem que agentes públicos deliberadamente deixaram de cumprir deveres legais, entrará com a ação de improbidade. A improbidade administrativa, prevista em lei, pode resultar em perda de direitos políticos e perda do cargo público.
Deputado encontra droga enterrada em nova visita
André Fernandes voltou à fazenda na noite de quinta-feira (2) e, segundo ele, não encontrou nenhum policial no local. Escavou uma área do terreno e localizou pés de maconha enterrados. "Comprovei que o governador mentiu. A droga não foi incinerada. Ela foi enterrada", afirmou o deputado. Ele tentou usar um trator para escavar outras áreas, mas foi interrompido por uma equipe da Polícia Civil que chegou durante a gravação de um vídeo. A legislação brasileira determina que drogas apreendidas sem prisão em flagrante devem ser destruídas por incineração em até 30 dias.
Governador nega irregularidades
No dia 29 de junho, o governador Elmano de Freitas (PT) visitou a fazenda acompanhado de chefes das forças de segurança estaduais, enquanto tratores faziam a limpeza do terreno. Ele afirmou que a plantação seria destruída e que "não vamos passar a mão na cabeça de ninguém". Em resposta às denúncias de Fernandes, Elmano pediu que o deputado prestasse depoimento à polícia para apresentar o nome de quem supostamente interferiu na operação.
Investigações em andamento
A Controladoria Geral de Disciplina do Ceará (CGD) abriu investigação para apurar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação do sítio. O MPCE informou que acompanha as investigações por meio do Grupo de Atuação Especial em Segurança Pública (Gaesp) e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). A Polícia Federal, procurada pelo g1, disse que "não comenta investigação em andamento".
Proprietário preso e solto
Na quinta-feira (2), a Polícia Civil prendeu temporariamente o proprietário do terreno, João Holanda Neto, de 59 anos, investigado por tráfico de drogas e associação para o tráfico. No entanto, ele foi solto no dia seguinte. Familiares afirmam que o verdadeiro responsável pela droga é Cristiano Rodrigues de Lima, que arrendou a área em 2025 e está foragido. A advogada de defesa, Maria Lopes, declarou que, desde a formalização do aluguel, o cliente não adentrou mais nas terras.



