A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira, 6, a Operação Véu de Maia para interromper um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligado à exploração ilegal de apostas de quota fixa, conhecidas como “bets”. Segundo a investigação, o grupo utilizava 87 empresas para movimentar recursos de operadores clandestinos e também é suspeito de enviar cifras milionárias ao exterior por meio de criptomoedas.
Investigação teve origem na Secretaria de Prêmios e Apostas
A apuração teve início após informações encaminhadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, que identificou o conjunto de empresas suspeitas de atuar como “laranjas” para ocultar e movimentar recursos de plataformas ilegais de apostas. Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa.
Mandados cumpridos em cinco cidades
Nesta segunda-feira, agentes federais cumprem nove mandados de busca e apreensão, além de buscas pessoais, nas cidades de Aparecida de Goiânia e Goiânia (GO), São Paulo e Ribeirão Preto (SP), Porto Alegre e Canoas (RS).
Origem do nome da operação
O nome da operação faz referência ao conceito hindu do “Véu de Maya”, que simboliza a ilusão da realidade. Na tradição filosófica védica, esse “véu” representa tudo aquilo que encobre a verdadeira natureza das coisas e faz as pessoas enxergarem apenas uma aparência enganosa do mundo.
O que são apostas de quota fixa
As apostas de quota fixa são modalidades de apostas esportivas ou de jogos online nas quais a cotação (“odd”) é conhecida no momento em que o apostador registra o palpite, permitindo que ele saiba antecipadamente quanto receberá em caso de acerto.
Impacto das bets ilegais no Brasil
Em junho, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, afirmou que 25,2 milhões de brasileiros utilizam casas de apostas ilegais. Segundo estimativas do governo federal, as perdas econômicas associadas a essas plataformas chegam a R$ 38,8 bilhões por ano, dos quais cerca de 80% estariam relacionados a danos à saúde. O governo estima que entre 41% e 51% das plataformas de apostas online em funcionamento no país operem de forma ilegal.
Plataformas autorizadas
Atualmente, 187 plataformas de apostas possuem autorização do Ministério da Fazenda para operar em todo o território nacional. Além delas, há empresas licenciadas para atuar apenas em âmbito estadual, em unidades da federação como Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão e Paraíba.
Possíveis crimes
Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e outros delitos que venham a ser identificados ao longo da investigação.



