MP denuncia 11 em esquema de R$ 86 mi no Instituto Rio Metrópole
MP denuncia 11 em esquema de R$ 86 mi no Rio Metrópole

O Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 11 pessoas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. A denúncia aponta um esquema de desvio de recursos públicos do Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia estadual responsável por projetos metropolitanos.

Operação cumpre mandados e prende presidente do IRM

Nesta quinta-feira, agentes cumprem seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão em endereços na capital, em São Gonçalo (Região Metropolitana) e em Teresópolis (Região Serrana). Seis pessoas foram presas, entre elas Davi Perini Vermelho, o Didê, presidente do IRM. Didê é ex-presidente da Câmara de São João de Meriti e, segundo a denúncia, chefiava o núcleo de servidores, autorizando contratações e controlando pagamentos.

IRM teria sido 'capturado' por organização criminosa

Na denúncia, o Ministério Público afirma que o Instituto Rio Metrópole foi capturado por uma organização criminosa e transformado em uma máquina de desvio de dinheiro público. Segundo a acusação, presidente, diretores, procurador e servidores ocuparam cargos estratégicos para fraudar licitações, dar aparência de legalidade aos contratos, impedir a fiscalização e garantir o fluxo de recursos desviados, convertendo a autarquia em um 'instrumento de enriquecimento privado'.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Um dos denunciados, Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação, é apontado como articulador do direcionamento das licitações em favor das contratadas. Ele é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch, que não é alvo da operação. Santos coordenava o planejamento estratégico e a elaboração de estudos e projetos metropolitanos.

Esquema movimentou R$ 86,28 milhões

De acordo com a denúncia apresentada à 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, os acusados utilizaram contratos firmados pelo IRM entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos. O esquema movimentou R$ 86,28 milhões. Segundo o Ministério Público, valores pagos a duas empresas contratadas eram posteriormente transferidos para a Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), entidade sem estrutura operacional compatível, de onde o dinheiro era sacado em espécie.

Presos e denunciados

O MPRJ requereu e obteve a prisão preventiva dos agentes públicos identificados como integrantes do esquema. Além de Didê, estão presos: Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil, que atuava como ordenador de despesas e exercia o controle de fato do grupo RioForte, responsável pela escolta armada do dinheiro; Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado à frente da Procuradoria-Geral do IRM, acusado de emitir pareceres que deram cobertura jurídica às contratações e ao reajuste irregular do contrato; Caroline Soares Barros, que acumulava as funções de fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO, entidade de fachada por onde os recursos passavam antes de serem sacados em espécie; e Amanda Íthala Santos da Paschoa, que a sucedeu na fiscalização e atestou a execução dos contratos, respaldando os pagamentos. Ela é cunhada de Alexandre Knoploch.

Para os demais denunciados, a Justiça aplicou medidas cautelares diversas da prisão, como monitoramento eletrônico, comparecimento periódico em juízo e proibição de se ausentarem do país. São eles: Leilson de Souza Nepomuceno, Gerson Luís de Araújo Rodrigues, Hélio Augusto Machado Pessôa e Roberto Accioly Peotta.

Segundo a denúncia, integravam a organização criminosa na condição de particulares que davam suporte ao esquema: Hélio e Gerson, representantes da Engeconsult; Roberto Accioly Peotta e Roberto Peotta, da R. Peotta, empresas contratadas pelo IRM que repassavam os recursos públicos à entidade de fachada; e Leilson de Souza Nepomuceno, à frente da RioForte, incumbida da escolta armada do numerário sacado em espécie.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

'Mulher da mala' sacou R$ 3 milhões em espécie

De acordo com a denúncia, Caroline Soares Barros realizou 13 saques em espécie entre maio de 2025 e janeiro de 2026, que somaram R$ 3,025 milhões, incluindo duas retiradas de R$ 500 mil cada. O MP afirma que, após receber os repasses na conta do Instituto BIO, ela transferia quase todo o valor para sua conta pessoal e, dias depois, sacava o dinheiro em agências bancárias no Rio e em Teresópolis. Na denúncia, os promotores a descrevem como a 'mulher da mala' por ser, segundo a acusação, a responsável por converter os recursos públicos em dinheiro vivo e transportá-los sob escolta armada para destino desconhecido, dificultando o rastreamento dos valores.

Governo e Polícia Civil se manifestam

Em nota, o governo fluminense afirma que a operação 'é fruto de um trabalho conjunto entre os órgãos do Estado'. O Palácio Guanabara diz ter identificado indícios de irregularidades nos contratos. 'É importante destacar que o Instituto Rio Metrópole é uma autarquia cuja presidência possui mandato fixo de quatro anos. Diferentemente de cargos de livre nomeação e exoneração, a atual gestão foi nomeada na administração anterior e tem mandato até o final de dezembro de 2026', afirma o texto. Segundo o Executivo fluminense, os relatórios foram encaminhados formalmente ao MP para subsidiar as investigações.

Sobre o delegado Franquis Dias Nepomuceno, a Polícia Civil do Rio ressalta que a Corregedoria-Geral instaurou Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos. 'A Polícia Civil acompanha o caso de perto e reafirma que não compactua com qualquer desvio de conduta de seus integrantes. A instituição mantém rígidos mecanismos de controle interno e colabora permanentemente com os órgãos de fiscalização e persecução, adotando todas as medidas cabíveis para apurar eventuais irregularidades', diz em nota.

O que é o Instituto Rio Metrópole

O Instituto Rio Metrópole é uma autarquia vinculada ao governo estadual responsável por executar as políticas e projetos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O órgão funciona como o braço técnico e executivo do Conselho Deliberativo da Região Metropolitana e transforma em ações concretas as decisões tomadas pelo colegiado, que reúne representantes do estado e dos municípios metropolitanos. Sua principal atribuição é planejar, coordenar e desenvolver projetos de interesse comum dos 22 municípios da Região Metropolitana, especialmente nas áreas de mobilidade urbana, saneamento, habitação, meio ambiente, desenvolvimento metropolitano e tecnologia.