O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou nos Estados Unidos nesta segunda-feira (6) para participar de uma audiência sobre as tarifas impostas pelo governo americano a produtos brasileiros. A viagem ocorre em meio à escalada da disputa comercial entre os dois países e à aproximação das eleições presidenciais no Brasil.
Contexto da viagem
Flávio Bolsonaro busca negociar o adiamento das tarifas que afetam setores como siderurgia e agricultura. A medida foi anunciada pela administração Biden em resposta a políticas comerciais brasileiras consideradas protecionistas. O senador afirmou que a missão é "defender os interesses do Brasil" e que espera encontrar "boa vontade" dos representantes americanos.
Disputa com Lula
A viagem ocorre em um momento de tensão política no Brasil, com o presidente Lula preparando o lançamento de sua campanha à reeleição para 2 de agosto. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem se posicionado como crítico do governo atual e busca capitalizar politicamente a questão das tarifas. Segundo analistas, a visita aos EUA pode fortalecer sua imagem de defensor da economia nacional.
Impacto econômico
As tarifas americanas atingem especialmente o aço brasileiro, com alíquotas que podem chegar a 25%. O setor siderúrgico brasileiro já registrou queda de 8% nas exportações para os EUA no primeiro semestre de 2025. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o impacto total pode chegar a US$ 1,5 bilhão se as tarifas não forem revistas.
Em declaração à imprensa, Flávio Bolsonaro disse: "Não podemos aceitar que o Brasil seja prejudicado por medidas unilaterais. Vou levar ao Congresso americano a voz dos produtores brasileiros."
Reações no Brasil
O governo Lula criticou a iniciativa, classificando-a como "ato de oposição" que pode atrapalhar as negociações diplomáticas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que "a política comercial é conduzida pelo Itamaraty, não por interesses partidários". Já aliados de Flávio defendem que a missão é suprapartidária e necessária para proteger o emprego no Brasil.
Enquanto isso, o mercado financeiro reage com cautela. O Ibovespa futuro recuava 0,5% no início da tarde, influenciado pelo risco de escalada tarifária e pela aversão global ao risco. O dólar comercial subia 0,3%, cotado a R$ 5,20.
Próximos passos
Flávio Bolsonaro tem agenda de dois dias em Washington, com reuniões no Departamento de Comércio e com membros do Congresso americano. Ele deve retornar ao Brasil na quarta-feira (8). A expectativa é que o governo americano anuncie uma decisão sobre as tarifas até o final de julho.



