Defesa de Cunha reinterpreta ética e probidade
Defesa de Cunha reinterpreta ética e probidade

A defesa do ex-deputado Eduardo Cunha apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo recurso que reinterpreta o significado de “compromisso ético” e “probidade” no âmbito da condenação do político. Os advogados sustentam que os termos devem ser interpretados de forma restritiva, limitando o alcance das acusações que levaram à prisão de Cunha.

Argumentação jurídica inovadora

No documento protocolado nesta segunda-feira, a defesa alega que o conceito de “compromisso ético” não pode ser ampliado para abranger condutas que não estejam expressamente previstas em lei. Segundo os advogados, a condenação de Cunha por quebra de decoro parlamentar teria se baseado em uma interpretação excessivamente ampla desses princípios.

A peça jurídica cita jurisprudência do próprio STF para defender que a probidade administrativa exige dolo específico, ou seja, a intenção clara de lesar o erário. “Não se pode punir um agente político por meras presunções ou por condutas que, embora reprováveis moralmente, não configuram ilegalidade”, afirmam os defensores.

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Contexto da condenação

Eduardo Cunha foi condenado em 2017 a 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, no âmbito da Operação Lava Jato. O ex-presidente da Câmara dos Deputados também perdeu o mandato por quebra de decoro parlamentar, decisão que agora é questionada pela defesa.

Os advogados pedem a anulação da condenação por improbidade administrativa, argumentando que o “compromisso ético” assumido por Cunha ao tomar posse não pode ser interpretado como uma cláusula geral de responsabilidade por atos não previstos em lei.

Reações e próximos passos

O Ministério Público Federal ainda não se manifestou sobre o recurso. Especialistas em direito penal ouvidos pelo blog consideram a argumentação “ousada”, mas avaliam que dificilmente prosperará, dado o histórico de condenações mantidas pelo STF em casos similares.

O relator do caso no STF, ministro Edson Fachin, deverá analisar o pedido nos próximos dias. Não há prazo para julgamento.

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