Flávio Bolsonaro pede a Trump que adie tarifaço contra o Brasil até eleição
Flávio Bolsonaro pede a Trump que adie tarifaço até eleição

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou um documento de 86 páginas ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) solicitando que o governo americano suspenda a imposição de novas tarifas contra o Brasil até a realização das eleições presidenciais de outubro. O pedido, segundo o senador, visa evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se beneficie politicamente de uma medida econômica que poderia fortalecer sua campanha à reeleição.

Argumentação de Flávio Bolsonaro

No documento, Flávio argumenta que a imposição de tarifas pelos EUA há um ano favoreceu as chances eleitorais de Lula, já que a família Bolsonaro foi associada à pressão que levou Washington a punir o Brasil após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador afirma que qualquer sanção americana contra o país é automaticamente interpretada como resultado da influência bolsonarista, prejudicando sua candidatura.

“A imposição de tarifas fortaleceria as chances eleitorais de Lula, como aconteceu há um ano, quando os Estados Unidos impuseram um tarifaço”, escreveu Flávio. Para ele, a medida daria a Lula um “presentão” político, permitindo que o presidente se apresente como vítima de uma perseguição externa.

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Críticas de Lula e reações

O presidente Lula reagiu imediatamente à iniciativa de Flávio. Em publicação no X (antigo Twitter), a conta oficial do presidente afirmou: “É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”. Lula classificou a atitude como “mais uma demonstração de traidores da Pátria”.

Para analistas políticos, o pedido de Flávio representa uma interferência externa no processo eleitoral brasileiro. “Ao vincular a imposição de tarifas ao calendário eleitoral, Flávio convida explicitamente Trump a interferir na eleição brasileira, o que é um verdadeiro atentado à democracia”, afirmou o cientista político Carlos Melo, do Insper.

Subserviência e ofertas comerciais

No documento, Flávio também ofereceu aos EUA uma “busca agressiva” de acordos comerciais, o que incluiria o abandono do Mercosul. Ele prometeu ainda revisar a carga tributária sobre cartões de crédito, dominados por empresas americanas, e zerar as tarifas sobre o etanol dos EUA. “É o pacote completo da subserviência”, criticou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder do governo no Congresso.

O episódio ocorre em meio à defesa oficial do Brasil contra a ameaça de novas tarifas americanas. O governo brasileiro apresentou ao USTR uma contraproposta para evitar a taxação, enquanto Flávio, por sua vez, trabalhou para atrapalhar essa estratégia, segundo fontes diplomáticas.

Impacto eleitoral

Pesquisas recentes indicam que a associação dos Bolsonaro com as tarifas americanas tem desgastado a candidatura de Flávio. Segundo levantamento do Datafolha, a rejeição ao senador subiu 5 pontos percentuais nas últimas semanas. “Flávio é um candidato fraco, que não tem a apresentar nada além do sobrenome. Esse pedido só reforça a percepção de que ele não tem consideração pelo país”, avaliou a analista política Mônica de Bolle, da Universidade Johns Hopkins.

Para Lula, o episódio serve como “injeção de oxigênio” na campanha. “Se a ideia dos Bolsonaro é ajudar a reeleger Lula para manter vivo o inimigo que justifica sua existência política, está funcionando”, concluiu o cientista político Alberto Carlos Almeida.

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