O economista Luis Carlos Verde, em entrevista ao Valor, alertou que o Brasil pagará nos próximos anos a 'fatura da farra fiscal' promovida pelo governo, mas que o país 'não quer falar disto'. Segundo ele, os gastos públicos excessivos e a expansão da dívida gerarão consequências inevitáveis, como aumento de impostos ou corte de despesas.
O alerta do economista
Verde destacou que a política fiscal expansionista adotada nos últimos anos, com aumento de subsídios e isenções, criou um rombo nas contas públicas. 'A conta vai chegar, e será salgada', afirmou. Ele estima que o déficit primário pode superar 1% do PIB em 2026, caso não haja ajustes.
O especialista criticou a falta de debate sobre o tema no cenário político. 'Ninguém quer tocar nesse assunto porque é impopular, mas a realidade vai bater à porta', disse.
Impactos esperados
Entre as consequências, Verde citou o risco de aumento da taxa Selic, inflação mais alta e desvalorização cambial. 'O Brasil pode perder o grau de investimento se não agir', alertou. Ele recomenda um ajuste fiscal gradual, com corte de gastos e revisão de benefícios.
A declaração ocorre em meio a debates sobre o arcabouço fiscal e a meta de resultado primário. O governo tem defendido a manutenção dos investimentos públicos, mas Verde pondera: 'Não há almoço grátis. A farra fiscal tem preço.'



