Na Venezuela, a resposta do governo aos terremotos que atingiram o país em junho de 2026 expôs o colapso estatal e a prioridade absoluta dada à segurança do regime em detrimento do auxílio às vítimas. Apesar da oferta de ajuda internacional, a ineficiência interna foi marcante, com relatos de voluntários bloqueados e falta de recursos essenciais.
Colapso na resposta a desastres
Os terremotos de 24 de junho devastaram áreas costeiras, deixando milhares de desabrigados e centenas de mortos. No entanto, o governo de Nicolás Maduro concentrou esforços em proteger a camarilha no poder, não em socorrer a população. De acordo com o sociólogo e doutor em geografia humana Demétrio Magnoli, "a segurança da camarilha no poder, não o auxílio às vítimas dos terremotos, é a prioridade absoluta do governo".
Voluntários bloqueados e falta de recursos
Voluntários que tentaram levar ajuda às áreas afetadas foram bloqueados por forças de segurança, e hospitais públicos relataram falta de medicamentos e equipamentos básicos. Enquanto isso, militares e membros do partido governista receberam tratamento prioritário. A ajuda internacional, incluindo ofertas de países vizinhos e organizações humanitárias, foi parcialmente aceita, mas a distribuição foi prejudicada pela burocracia e pela desconfiança do regime.
Indignação pública e consequências políticas
A tragédia gerou indignação pública, com protestos espontâneos em Caracas e outras cidades. Líderes oposicionistas enfrentam dilemas críticos: como canalizar a raça popular sem serem acusados de explorar a tragédia. Analistas apontam que a crise pode desestabilizar os planos políticos do governo, que já enfrenta sanções internacionais e uma economia em frangalhos.
O papel da ajuda internacional
Organizações como a Cruz Vermelha e a ONU ofereceram assistência, mas o governo venezuelano impôs condições que limitaram a atuação de equipes estrangeiras. A prioridade, segundo fontes, foi garantir que a ajuda não fortalecesse a oposição. Enquanto isso, a população continua a sofrer com a falta de água potável, alimentos e abrigo.
Um regime que se protege
Os terremotos revelaram a verdadeira natureza do regime de Maduro: um governo que se protege às custas do povo. Com mais fuzis do que pás, a segurança do Estado prevalece sobre a segurança humana. A comunidade internacional observa com preocupação, mas as ações concretas para pressionar o regime ainda são limitadas.



