A audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o tarifaço imposto a produtos brasileiros teve um primeiro dia repleto de questionamentos técnicos e críticas. Representantes americanos levantaram dúvidas sobre a capacidade do mercado interno dos EUA, a concorrência desleal de itens como carne bovina e etanol, e apontaram dados defasados sobre desmatamento na Amazônia. O evento, que ocorre em Washington, deve abordar o tema do trabalho forçado no segundo dia.
Questionamentos sobre etanol e carne bovina
Durante a sessão, representantes de setores produtivos americanos criticaram a importação de etanol brasileiro, alegando que o produto se beneficia de subsídios indiretos e práticas ambientais questionáveis. Além disso, a carne bovina brasileira foi alvo de reclamações sobre concorrência desleal, com alegações de que o Brasil não segue os mesmos padrões sanitários e ambientais que os produtores locais. Um dos participantes afirmou: "Precisamos de regras claras e dados atualizados para avaliar o impacto real dessas importações".
Dados desatualizados de desmatamento
Um dos pontos mais controversos foi o uso de informações desatualizadas sobre desmatamento na Amazônia. Especialistas presentes apontaram que os números apresentados pelos EUA não refletem a realidade mais recente, com dados de 2022 sendo usados para justificar as tarifas. Segundo fontes, o governo brasileiro já enviou atualizações, mas elas não foram incorporadas à análise do USTR. A falta de dados precisos pode distorcer a avaliação comercial.
Críticas ao Pix e taxação de máquinas
Outro tema debatido foi o sistema de pagamentos instantâneos Pix, alvo de críticas por supostamente dificultar a fiscalização tributária. Representantes americanos também questionaram a taxação de máquinas e equipamentos importados, que consideram um obstáculo ao comércio bilateral. Em contrapartida, foi destacada a complementaridade das economias, com setores como o de energia renovável podendo se beneficiar de maior cooperação.
Expectativas para o segundo dia
O segundo dia da audiência deve focar em alegações de trabalho forçado na cadeia produtiva brasileira. Organizações sindicais e de direitos humanos preparam depoimentos sobre supostas violações em setores como o agropecuário. A expectativa é que o governo brasileiro apresente contra-argumentos baseados em políticas de fiscalização adotadas nos últimos anos. O resultado da audiência pode influenciar a manutenção ou revisão das tarifas impostas por Trump.



