O ex-presidente Michel Temer, que assumiu o governo após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), afirmou que hoje respeita a ex-presidente, mas disse que ela deixou de falar com ele depois do processo de afastamento. A declaração foi dada em entrevista ao UOL.
Rompimento após comentário sobre Pasadena
Segundo Temer, o rompimento entre os dois ficou evidente após um comentário seu sobre o caso da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobras. O episódio ganhou repercussão por ter ocorrido quando Dilma presidia o Conselho de Administração da estatal, que mais tarde seria alvo da Operação Lava Jato.
O ex-presidente afirmou que, ao ser questionado sobre o tema, disse que Dilma era “muito honesta”. Em resposta, segundo ele, a petista divulgou uma nota afirmando que não queria que sua “honestidade pessoal e política” fosse usada por Temer para limpar a imagem de “golpista” atribuída a ele após o impeachment.
Respeito institucional e atos de 8 de janeiro
Temer também disse que, ao assumir interinamente a Presidência em 2016, fez um discurso no qual manifestou respeito institucional a Dilma. Na entrevista ao UOL, o ex-presidente comentou ainda os atos de 8 de Janeiro e afirmou que houve, sim, uma tentativa de golpe de Estado, embora sem apoio das Forças Armadas.
“A intenção de golpe houve, sim. Houve o desejo, sem dúvida alguma. Porque a invasão não foi a prédios quaisquer. Foi a prédios que abrigavam os Poderes. Portanto, houve tentativa de golpe”, disse.
Temer também elogiou a atuação do ministro Alexandre de Moraes e do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que as decisões da Corte ajudaram a garantir as eleições de 2022 e a “fortalecer a democracia”.
Crítica ao próprio decreto das bets
O ex-presidente também reavaliou o decreto das bets, assinado em 2018, que abriu caminho para a legalização das casas de apostas esportivas no país.
“Eu não aplaudo aquele meu ato. De vez em quando, eu recuava em certos decretos — melhor, eu os modificava. A imprensa anunciava: ‘Temer recua’. E eu dizia: ‘Ainda bem que recuei, porque não tenho compromisso com o erro’. Então, eu não aplaudo aquele meu ato”, afirmou.
Questionado sobre o impacto das apostas na vida das famílias brasileiras e na economia, Temer disse que considerou, na época, que a lei seria regulamentada posteriormente, o que não ocorreu durante a gestão de Jair Bolsonaro.



