PT reforça presença em Minas Gerais e Goiás
O Partido dos Trabalhadores (PT) está concentrando seus esforços eleitorais nos estados de Minas Gerais e Goiás para fortalecer os palanques do pré-candidato à Presidência, Fernando Haddad. A estratégia foi confirmada por dirigentes partidários nesta quinta-feira (10), após reunião da cúpula do partido em Brasília. A escolha dos dois estados é considerada estratégica por seu peso eleitoral e pela necessidade de ampliar a base de apoio fora do Nordeste, tradicional reduto petista.
Minas Gerais: alvo prioritário
Em Minas Gerais, o PT aposta na aliança com o governador Romeu Zema (Novo), que está em seu segundo mandato e não pode concorrer à reeleição. A ideia é lançar um nome de consenso que una a esquerda e setores do centro. Segundo o presidente do PT mineiro, deputado federal Rogério Correia, “a meta é construir uma chapa competitiva que dialogue com o eleitorado mineiro, que historicamente decide eleições”. O partido já iniciou conversas com o PSB e o PCdoB para formar uma federação partidária no estado.
Goiás: expansão no Centro-Oeste
Em Goiás, o PT busca reverter a derrota de 2022, quando Haddad ficou em terceiro lugar no estado. A estratégia passa por fortalecer a candidatura do deputado federal Rubens Otoni (PT-GO) ao governo, com o apoio do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). A aliança com tucanos é vista como fundamental para atrair o eleitorado moderado. “Goiás é uma fronteira eleitoral importante. Precisamos mostrar que o PT tem propostas para o desenvolvimento do agronegócio e da indústria local”, afirmou Otoni.
Impacto na campanha nacional
Segundo analistas políticos, o foco em Minas Gerais e Goiás reflete a necessidade do PT de diversificar sua base eleitoral. Em 2022, Haddad venceu em 11 estados, todos no Norte e Nordeste. Para 2026, o partido precisa ampliar seu alcance para ter chance de vitória no primeiro turno. Dados internos do PT indicam que a aprovação do governo Lula é maior em Minas (48%) e Goiás (45%) do que a média nacional, o que anima a militância. A meta é aumentar em 20% os votos nesses estados em relação a 2022.
Desafios e críticas
A estratégia, no entanto, enfrenta resistência interna. Alas mais à esquerda do partido criticam as alianças com o Novo e o PSDB, consideradas contraditórias com o histórico petista. Em nota, o movimento “PT de Luta” afirmou que “a aliança com Zema e Perillo é um retrocesso e afasta o partido de suas bases”. Apesar das críticas, a direção nacional mantém o plano. O presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, defendeu a aproximação: “Precisamos de alianças amplas para derrotar o bolsonarismo. Não podemos ficar isolados”.
Próximos passos
O PT planeja realizar convenções estaduais em agosto para oficializar as candidaturas. Em Minas, o nome mais cotado é o do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que já sinalizou apoio a Haddad. Em Goiás, a definição deve sair após o prazo de filiações partidárias, em abril de 2026. A campanha nacional de Haddad deve intensificar as visitas aos dois estados a partir de setembro.



