O Novorizontino perdeu por 2 a 1 para o Operário-PR neste domingo, em Ponta Grossa, pela Série B do Campeonato Brasileiro. O técnico Enderson Moreira avaliou que sua equipe demorou a entrar no jogo, mas conseguiu equilibrar as ações ainda no primeiro tempo. Além da análise da partida, o treinador voltou a fazer duras críticas ao calendário da competição e à logística enfrentada pelos clubes.
Desempenho em campo
O Tigre do Vale saiu atrás do placar, buscou o empate com Robson, mas acabou sofrendo o gol da derrota na etapa final. Com o resultado, a equipe permanece na quarta colocação, com 30 pontos. Enderson destacou que o time paulista teve controle do jogo durante boa parte da partida, apesar do início abaixo do esperado. "Começamos mal. Mas depois conseguimos controlar o jogo, criar boas situações. Sofremos o gol, mas buscamos o empate. Conseguimos criar situações até para virar o jogo naquele primeiro tempo. Segundo tempo truncado, qualquer uma das duas equipes poderia encontrar o gol de alguma forma. Não conseguimos criar tantas oportunidades assim para poder buscar o empate", afirmou.
Questionado sobre a intensidade do Operário atuando em casa, o treinador minimizou o volume ofensivo do adversário. "Intensidade de quê? Do jogo? Não. Em vários momentos tivemos controle do jogo, criando situações. O Operário em vários momentos foi uma equipe que ficou esperando um erro nosso para poder transitar, mas não foi com esse volume ofensivo de criar várias situações. Sem dúvidas nenhuma, o maior perigo do Operário foram as bolas paradas, estávamos preparados. Sabíamos da força, até prevíamos que tivesse um volume muito maior. Em determinado momento, o jogo se desenhou muito para nós, tivemos controle", disse.
Críticas ao calendário e logística
Assim como em outras entrevistas nesta Série B, Enderson voltou a direcionar o foco para o calendário da competição. O treinador citou a sequência de partidas fora de casa e o desgaste das viagens como fatores que dificultam o desempenho das equipes. "Temos sofrido, não só nós, mas todos da Série B, com uma frequente irregularidade em cima de tabelas. Só para dar um exemplo, nós vamos fazer em quatro jogos, três fora. Já tivemos dois momentos no primeiro turno, que fizemos dois jogos dobrados fora de casa. Estamos por três momentos de jogos fora de casa seguidos, e com um tempo muito pequeno, porque jogamos domingo, vamos jogar na sexta-feira em Fortaleza, estamos no sul do país, vamos atravessar o país todo para fazer o jogo. Vamos ter que voltar rápido porque jogamos terça-feira contra o Criciúma. A nossa viagem começa sempre com quatro horas de ônibus para poder chegar em Viracopos, é muito difícil. Depois do jogo contra o Londrina vamos ter 14 dias sem jogo. Esse desequilíbrio que eu particularmente faço força para entender", reclamou.
Na sequência, o comandante atribuiu os problemas à falta de organização do futebol brasileiro e criticou a forma como as tabelas são elaboradas. "É fruto do nosso futebol, da falta da organização, estamos falando isso há muitos anos. Temos conversado, demos passos para trás na questão dos play-offs. O Novorizontino foi duas vezes quinto colocado, se não está entre os quatro é porque não foi merecido. Não podemos criar mecanismo para poder voltar ao que era antigamente. Crescemos muito porque os bons trabalhos prevalecem", afirmou.
Dificuldades financeiras e logísticas
Enderson também reclamou das dificuldades logísticas enfrentadas pelos clubes da Série B e afirmou que a maioria não possui condições financeiras para fretar aeronaves. "Na verdade, temos vivenciado uma regressão em várias coisas. Pode estar avançando em algumas, mas em outras, temos empenado. As tabelas saem muito em cima da hora, temos poucas alternativas de voo. Vamos fazer um jogo importante contra o Fortaleza, vamos voltar na madrugada, sem dormir, para jogar terça. São coisas que ficamos de mãos atadas, não temos recurso. Acredito que quase nenhum clube da Série B tenha recurso para fretar voo. Temos que dar sorte, às vezes, de ser uma sequência que tenha um espaçamento melhor. Quando tem espaçamento, conseguimos nos recuperar; quando não tem, as equipes estão aí, sofrendo, de um lado para o outro", disse.
As reclamações sobre calendário, logística e sequência de viagens têm sido recorrentes nas entrevistas de Enderson Moreira ao longo da Série B. Por fim, o treinador pediu mais atenção à Série B e destacou a importância da competição para o futebol brasileiro. "Algumas pessoas falam assim: 'É de avião, em hotel bom'. Vem ter a vida da gente, ver como que é, como que são as viagens. Viagem que começa 12h30 e chegamos 22h30 no lugar. Temos falado, temos tentado, mas a forma como somos tratados é que nos deixa muito chateados. Não estou falando do Novorizontino, estou falando de todas as equipes da Série B. Precisamos de um pouco mais de carinho e atenção, porque daqui também surgem grandes jogadores, que vão jogar nas principais equipes do país e atletas que vão participar de Seleção. Aqui também é um celeiro de bons atletas. Esperamos sempre que possa ter esse carinho com todas as divisões, não somente uma", concluiu.
O Tigre do Vale agora volta as atenções para mais um compromisso fora de casa, diante do Fortaleza, nesta sexta-feira, às 21h, no Castelão, pela 18ª rodada da Série B.



