EUA atacam alvos no Irã após petroleiros serem atingidos no Estreito de Ormuz
EUA atacam alvos no Irã após petroleiros atingidos no Estreito de Ormuz

Os Estados Unidos lançaram uma série de ataques contra o Irã após três petroleiros terem sido atingidos no Estreito de Ormuz. O Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou a ofensiva nesta terça-feira (7), afirmando que a ação busca impor um alto custo a quem ataca navios comerciais em rotas internacionais. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou a ação como violação do memorando firmado entre os dois países no mês passado e alertou que Teerã adotará medidas decisivas.

Detalhes dos ataques e reações

Os três petroleiros foram atingidos em um intervalo de 24 horas, entre segunda (6) e terça-feira, segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO). Não houve registro de vítimas. Em resposta, um integrante do governo americano, sob condição de anonimato, afirmou que o Irã enfrentará consequências e classificou os incidentes como totalmente inaceitáveis. O Centcom, em comunicado no X, afirmou que os bombardeios foram realizados em resposta aos ataques iranianos, chamando a agressão de injustificada, perigosa e clara violação do cessar-fogo.

Revogação de isenção de sanções

Paralelamente, o Departamento do Tesouro dos EUA revogou uma isenção de sanções que suspendia restrições à exportação de petróleo pelo Irã, parte do memorando de entendimento assinado no mês passado. Um comunicado do Tesouro informou que será concedido um período de transição até 17 de julho para as transações já permitidas. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a decisão viola o memorando e demonstra má-fé, inconsistência e falta de confiabilidade dos EUA, e que Teerã tomará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses nacionais e segurança nacional.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Condenações de Catar e Arábia Saudita

Catar e Arábia Saudita condenaram os incidentes, responsabilizando o Irã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, afirmou que o país considera o Irã totalmente responsável pelo ataque ao navio Al-Rekayyat e pediu que o Irã cesse práticas que comprometem a segurança regional. O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita afirmou que o petroleiro saudita Wadyan foi atingido e que os ataques representam ameaça à segurança da navegação internacional e ao abastecimento mundial de energia.

Resposta do Irã e contexto

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, classificou as acusações do Catar como contrárias ao princípio da boa vizinhança, afirmando que embarcações que usam rotas não coordenadas com o Irã ou manipulam sistemas de rastreamento correm risco de colisão. Segundo a UKMTO, um petroleiro reportou incêndio após projétil de origem desconhecida atingir a casa de máquinas na segunda-feira. Em outros dois episódios na terça, um petroleiro foi atingido ao deixar o estreito mas seguiu viagem, e outro sofreu danos estruturais leves.

O memorando de entendimento entre EUA e Irã, composto por 14 pontos, prorrogou o cessar-fogo, prevê que o Irã nunca desenvolverá arma nuclear e cria um fundo de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) para reconstrução econômica do Irã, sem obrigação dos EUA de financiá-lo. Irã e Omã devem negociar a administração do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás mundial. O Irã fechou o estreito após ataques de EUA e Israel em 28 de fevereiro, criando a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico para administrar passagens seguras. A agência Fars informou que, pelo novo acordo, o estreito será administrado pelo Irã em coordenação com Omã, com possibilidade de cobrança de taxas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar