Os Estados Unidos retomaram ataques aéreos contra o Irã nesta quarta-feira (8), após o presidente Donald Trump declarar o fim do acordo de cessar-fogo que havia sido mediado por potências internacionais. A ofensiva reacendeu o temor de uma nova guerra no Oriente Médio e provocou forte reação nos mercados globais.
Petróleo Brent dispara 5% com bombardeios
O barril do petróleo Brent, referência internacional, saltou 5% nas primeiras horas do pregão, alcançando o maior patamar desde o início do ano. A escalada ocorre em meio à interrupção do cessar-fogo e aos novos bombardeios, que atingiram instalações militares e de infraestrutura no território iraniano.
Segundo analistas, o mercado de petróleo reage ao risco de interrupção no fornecimento da região, que responde por cerca de 20% da produção global. "Qualquer conflito no Estreito de Ormuz pode elevar os preços do petróleo em dois dígitos", alertou um estrategista de commodities de um grande banco internacional.
Ibovespa cai com tensões renovadas
No Brasil, o Ibovespa operava em queda acentuada, refletindo o aumento da aversão ao risco global. As ações mais impactadas foram as de empresas com exposição ao mercado internacional, como Petrobras e Vale. A Petrobras, embora beneficiada pela alta do petróleo, sofreu com o temor de sanções ou restrições comerciais.
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) também subiram, acompanhando a retomada dos ataques e a incerteza geopolítica. Investidores migraram para ativos considerados seguros, como o dólar e o ouro.
Reação do governo iraniano
O governo iraniano condenou os ataques e afirmou que os EUA violaram o memorando de fim da guerra ao impor novas sanções sobre o petróleo iraniano. "Os Estados Unidos demonstraram que não estão comprometidos com a paz. Responderemos com firmeza a qualquer agressão", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.
Analistas políticos apontam que a ruptura do cessar-fogo pode levar a uma escalada regional, com envolvimento de grupos aliados do Irã no Líbano, Síria e Iêmen.
Trump justifica fim do acordo
Em pronunciamento, Trump justificou o fim do acordo afirmando que o Irã não cumpriu as cláusulas de desnuclearização e continuou apoiando grupos terroristas. "Não podemos mais tolerar o regime iraniano. Este acordo estava morto desde o início", disse o presidente.
A decisão de Trump ocorre em meio a críticas de aliados da Otan, que alertaram para o risco de uma guerra prolongada. A Rússia, por sua vez, condenou os ataques e convocou uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU.
Impacto nos mercados asiáticos e europeus
As bolsas da Ásia fecharam mistas, com quedas em Tóquio e Xangai, enquanto Seul registrou leve alta. Na Europa, os índices abriram em baixa, com o setor de energia sendo o único a apresentar ganhos. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 1,2% no meio da manhã.
O minério de ferro, por outro lado, subiu com a melhora na demanda de armazéns e nas vendas imobiliárias na China, o que ajudou a conter perdas em setores ligados à commodity.
Perspectivas para os investidores
Especialistas recomendam cautela e diversificação em cenário de alta volatilidade. "O momento é de proteger o portfólio com ativos de baixo risco, como títulos públicos e ouro. Evite exposição excessiva a ações de países emergentes", orienta um analista de investimentos.
No Brasil, o Tesouro Direto registrou alta nos prefixados, com investidores buscando proteção contra a inflação e a incerteza externa. A curva de juros futuros também refletiu o aumento do prêmio de risco.



