Os Estados Unidos bombardearam o Irã pelo segundo dia consecutivo, atingindo sistemas de defesa e bases militares no Golfo Pérsico, em retaliação a confrontos no Estreito de Ormuz. O Irã respondeu com ataques a instalações americanas em vários países do Golfo, incluindo a base aérea de Al Udeid, no Catar, e ameaçou abandonar o acordo nuclear de 2015.
Ataques e retaliação
Segundo fontes do Pentágono, os bombardeios americanos visaram destruir baterias antiaéreas e centros de comando iranianos na costa do Golfo. Em comunicado, o Comando Central dos EUA afirmou que os ataques foram “precisos e proporcionais”, com o objetivo de proteger navios comerciais e militares na região.
O Irã, por sua vez, lançou mísseis contra bases americanas no Barein, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar. A base aérea de Al Udeid, que abriga tropas norte-americanas, foi atingida por pelo menos três projéteis, segundo autoridades catarianas. Não há relatos de vítimas fatais até o momento, mas os danos materiais são significativos.
Ameaça ao acordo nuclear
Em resposta aos bombardeios, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanaani, declarou que “o Irã não pode mais confiar em compromissos internacionais enquanto for alvo de agressão”. Ele advertiu que Teerã pode retomar o enriquecimento de urânio em níveis elevados, suspendendo as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Segundo Kanaani, “o acordo nuclear está em coma, e a continuidade dos ataques americanos pode ser o golpe final”. A declaração gerou apreensão na comunidade internacional, que teme uma corrida armamentista no Oriente Médio.
Impacto no petróleo e no Estreito de Ormuz
O preço do petróleo disparou mais de 8% nos mercados globais, com o barril do tipo Brent ultrapassando os 120 dólares, após o Irã ameaçar fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O governo iraniano afirmou que “qualquer bloqueio será uma resposta à agressão americana”.
Navios de guerra dos EUA e do Reino Unido já foram posicionados na região para garantir a livre navegação. A Arábia Saudita, maior exportadora da Opep, anunciou que aumentará a produção para compensar possíveis interrupções.
Negociações em curso
Apesar da escalada, o Irã mantém contato com mediadores internacionais, incluindo representantes da União Europeia e do Catar, para evitar um conflito generalizado. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Hossein Amir-Abdollahian, afirmou que “as negociações continuam, mas com condições: o fim dos bombardeios americanos e o respeito à soberania iraniana”.
Analistas apontam que ambos os lados buscam demonstrar força sem cruzar a linha de uma guerra aberta. O professor de relações internacionais da Universidade de Teerã, Mohammad Marandi, disse à AFP que “a situação é volátil, mas há espaço para desescalada se os EUA recuarem”.
Enquanto isso, a população civil nas cidades costeiras iranianas vive sob tensão, com sirenes de ataque aéreo e filas em postos de gasolina. O governo iraniano pediu calma e afirmou que “a pátria está segura”.



