O governo sueco passou a obrigar supermercados e farmácias a aceitarem cédulas e moedas em prol da segurança nacional e da inclusão de idosos e de pessoas com deficiência. A medida levanta a questão: de que forma essa nova visão do dinheiro impactará as relações de consumo no Brasil? Por enquanto, o Pix continua imbatível, bem como as carteiras digitais nos smartphones.
Realidade brasileira: domínio digital
Estima-se que menos de 6% dos brasileiros paguem suas contas com dinheiro em espécie. Uma situação bem diferente de, digamos, uma década atrás, quando evitávamos sair de casa sem dinheiro na carteira, o que nos levava a sacar cédulas em terminais de autoatendimento bancário. Até recentemente, era possível pagar imóveis com cédulas, o que foi proibido este ano por meio de alteração da Lei da Lavagem de Dinheiro.
O uso do dinheiro virtual segue o que ocorre com os serviços por aplicativo, tanto governamentais (como RG e carteira de motorista digitais), quanto privados (apps para transporte e entrega de comida).
A ameaça cibernética e a resposta sueca
Mas e se um grupo de hackers derrubasse as conexões pela Internet, e nos deixasse sem serviços nem recursos para pagá-los em uma eventual guerra cibernética? Como manteríamos nossas atividades diárias? É essa pergunta que o governo sueco tenta responder, adiando o fim do papel-moeda.
Além disso, há a preocupação com idosos ou pessoas com necessidades especiais que não tenham facilidade para usar recursos digitais. Debater a segurança digital e a inclusão dos idosos é muito importante. Ainda mais quando o tema é colocado na ordem do dia por um país avançado na transformação digital e na prestação de serviços públicos.
Ataque hacker no Brasil: um alerta
Não se trata de cautela excessiva a preocupação com as ações dos hackers. Em 2025, um ataque hacker desviou R$ 800 milhões no Brasil. Fornecedora de infraestrutura financeira, a C&M Software sofreu esse golpe, que começou com a cooptação de um empregado da empresa.
Convivência entre o digital e o físico
Estimular o papel-moeda não significa desestimular o uso do Pix nem de outras formas de pagamento digitais. A conveniência de pagar com carteiras digitais e Pix abriu caminho para inovações como a moeda digital, em fase de testes, o Pix por aproximação e o pagamento com a palma da mão, com biometria vascular (leitura das veias, do fluxo sanguíneo e do calor corporal do consumidor).
É provável que tenhamos, em alguns anos, um cenário em que as formas mais avançadas de pagamento convivam com o velho e popular dinheiro em espécie.



