Os preços mundiais dos alimentos recuaram pelo segundo mês consecutivo em junho, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que acompanha as variações mensais dos preços internacionais de uma cesta de alimentos, registrou média de 120,6 pontos em junho, uma queda de 0,2% em relação a maio.
Queda puxada por cereais e óleos vegetais
O recuo foi impulsionado principalmente pela diminuição dos preços internacionais de cereais e óleos vegetais. O índice de preços de cereais caiu 1,2% em relação ao mês anterior, refletindo as boas perspectivas de safra no hemisfério sul e a fraca demanda global. Já o índice de óleos vegetais recuou 0,8%, devido à oferta sazonal abundante de óleo de palma e soja.
Por outro lado, os preços de carnes e laticínios subiram. O índice de carnes avançou 1,1% em junho, sustentado pela alta demanda de importação da Ásia. Os laticínios tiveram aumento de 0,5%, com destaque para o leite em pó integral, cujos preços subiram devido à produção limitada na Europa.
Comparação anual ainda mostra alta
Apesar da queda mensal, o índice de junho ficou 2,1% acima do mesmo mês de 2024. O índice de açúcar, por exemplo, subiu 1,8% no mês, mas ainda está 7,5% abaixo do nível de junho do ano passado, refletindo a safra recorde no Brasil e na Índia.
“A queda nos preços dos alimentos é um alívio, mas a volatilidade continua alta devido a fatores climáticos e geopolíticos”, disse o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, em comunicado.
A FAO também revisou sua previsão para a produção global de cereais em 2026, estimando um recorde de 2,854 bilhões de toneladas, impulsionado por safras abundantes de milho e arroz. No entanto, alertou que eventos climáticos extremos, como secas e inundações, podem afetar a oferta em algumas regiões.
Impacto na inflação e segurança alimentar
A tendência de queda nos preços dos alimentos pode ajudar a conter a inflação global, especialmente em países importadores líquidos. No Brasil, a inflação de alimentos medida pelo IPCA desacelerou nos últimos meses, mas ainda pressiona o orçamento das famílias de baixa renda. O governo federal tem monitorado os preços e adotado medidas para garantir o abastecimento.
A FAO também destacou que 45 países, incluindo 33 na África, necessitam de assistência externa para alimentos, devido a conflitos, choques climáticos e crises econômicas. A queda nos preços globais pode aliviar a pressão sobre esses países, mas a distribuição desigual dos alimentos continua sendo um desafio.



