A Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta semana, teve como estopim a detenção do brasileiro Ygor Fokin Saviolli nos Estados Unidos, em outubro de 2023. Na ocasião, autoridades americanas apreenderam o celular de Saviolli no Aeroporto Internacional de Orlando, na Flórida, e encontraram evidências de um esquema transnacional de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
Investigação começou com apreensão de celular nos EUA
De acordo com a PF, a apreensão do aparelho ocorreu durante uma inspeção de rotina da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP). Os agentes americanos identificaram suspeitas de ilícitos financeiros e comunicaram as autoridades brasileiras, dando início à investigação conjunta. A PF, no entanto, não foi informada previamente sobre as sanções impostas pelos EUA a um dos alvos, Victor Shimada, que já estava na lista de sanções do Departamento do Tesouro americano.
O esquema movimentou cerca de R$ 10 bilhões, envolvendo criptomoedas, fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, a organização criminosa era liderada por Ygor Fokin Saviolli e Victor Shimada, este último foragido. A Operação Exchange cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo, Santa Catarina e no Distrito Federal.
Esquema usava criptomoedas para lavar dinheiro do PCC
As investigações apontam que o grupo utilizava exchanges de criptomoedas para ocultar a origem dos recursos, que seriam provenientes do tráfico de drogas e outras atividades ilícitas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A PF estima que mais de R$ 10 bilhões tenham sido movimentados nos últimos anos.
“A operação é resultado de uma cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos, que permitiu rastrear o fluxo financeiro e identificar os principais operadores do esquema”, afirmou o delegado responsável, em coletiva de imprensa.
Victor Shimada, que já estava sob sanções do OFAC (Office of Foreign Assets Control) dos EUA, é considerado foragido. A PF trabalha com a hipótese de que ele esteja no exterior. Ygor Fokin Saviolli, por sua vez, foi preso nos EUA e aguarda extradição.
PF não foi informada sobre sanções americanas
Um ponto controverso da investigação é que a PF não foi comunicada previamente sobre as sanções impostas pelos EUA a Victor Shimada. A informação só veio à tona durante as investigações, quando os agentes brasileiros cruzaram dados com as autoridades americanas. Apesar disso, a cooperação foi considerada exitosa.
“A Operação Exchange demonstra a importância da troca de informações entre países para o combate ao crime organizado transnacional”, destacou o diretor-geral da PF.
As investigações continuam em andamento, com a análise de materiais apreendidos e a busca por outros envolvidos. A PF não descarta novas fases da operação.



