O presidente francês Emmanuel Macron reagiu firmemente às ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que 'não cabe aos EUA decidirem sobre as leis europeias'. A declaração ocorre após Trump sugerir a imposição de tarifas de até 100% sobre vinhos e champanhes franceses, em retaliação à lei francesa de 2009 que taxa grandes empresas de tecnologia em 3%.
Disputa comercial às vésperas do G7
O embate acontece poucas horas antes da reunião do G7, que ocorrerá em junho de 2026. Macron deixou claro que não recuará na chamada 'taxa GAFA', que incide sobre gigantes como Google, Apple, Facebook e Amazon. 'A França tem soberania para definir suas próprias regras tributárias, especialmente quando se trata de garantir justiça fiscal para empresas que operam em nosso território', disse Macron em entrevista coletiva.
Reação de Trump e contexto
Trump, que busca retornar à Casa Branca, classificou a taxa francesa como 'discriminatória' e ameaçou retaliações comerciais. 'Se a França quer taxar nossas empresas, taxaremos seus vinhos em 100%', escreveu em sua rede social. A ameaça atinge diretamente um dos principais produtos de exportação franceses.
Macron, no entanto, manteve tom diplomático, mas firme. 'Queremos um diálogo respeitoso com os Estados Unidos, mas não aceitaremos pressões que violem nossa autonomia legislativa', afirmou. A França tem sido líder na União Europeia na implementação de impostos digitais, inspirando medidas semelhantes em outros países do bloco.
Impactos e perspectivas
Analistas apontam que a disputa pode escalar para uma guerra comercial mais ampla entre EUA e Europa, especialmente se Trump vencer as eleições de 2024. O governo francês já sinalizou que buscará apoio de outros países do G7 para mediar a questão. Enquanto isso, a indústria vinícola francesa monitora com apreensão as ameaças, que podem afetar significativamente as exportações para o mercado americano.
Macron concluiu sua fala reafirmando o compromisso com a estabilidade nas relações internacionais: 'O G7 é um fórum para cooperação, não para imposições unilaterais. A França continuará defendendo seus interesses e os da Europa com serenidade e determinação.'



