Crise do custo de vida leva ricos a supermercados de desconto nos EUA
Crise leva ricos a supermercados de desconto nos EUA

Os americanos estão enfrentando uma crise do custo de vida que pressiona até os maiores salários do país. John Furner, CEO do Walmart, revelou que consumidores mais ricos também estão recorrendo à rede de supermercados de baixo custo, à medida que os preços elevados levam as finanças das famílias ao limite.

“Continuamos vendo clientes de renda mais alta indo ao Walmart”, disse Furner a jornalistas durante a semana anual de assembleia de acionistas da varejista, em Bentonville, Arkansas. “Estamos encontrando mais deles, eles estão comprando mais e vindo com mais frequência.”

Pressão sobre consumidores de baixa e alta renda

Os consumidores de menor renda do Walmart têm demonstrado “mais sinais de pressão” na economia atual, destacou Furner. E eles não são os únicos a adotar uma postura mais estratégica em relação ao orçamento; cada vez mais pessoas com renda anual de seis dígitos estão recorrendo a redes de supermercados de desconto, já que os custos dos alimentos vêm sendo pressionados pela alta do petróleo, pelas tarifas e pela incerteza no comércio global.

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“Esse é realmente o principal ponto de pressão: o preço dos combustíveis”, continuou o CEO. “Esperamos que haja algum alívio nos preços da energia.”

Estratégia do Walmart para conter preços

O Walmart aproveitou o momento, usando seu tamanho e sua influência como o maior varejista de alimentos dos Estados Unidos para absorver aumentos nos custos de combustível e manter os preços mais competitivos, disseram executivos da empresa. No entanto, isso pode mudar nos próximos meses caso os preços dos combustíveis permaneçam nos níveis atuais.

Alimentos mais caros e mudança de hábitos

Os consumidores estão assustados com o aumento constante do valor de suas compras, à medida que os preços dos alimentos continuam subindo. O preço mediano de um café cold brew aumentou 3,7% desde maio de 2025, enquanto os hambúrgueres ficaram 2,4% mais caros no mesmo período, segundo a Toast.

E os itens básicos das compras de supermercado também dispararam: o preço médio de meio quilo de carne moída atingiu o recorde de US$ 6,90 no mês passado, alta de cerca de 19% em relação ao ano anterior. Os preços do suco de laranja saltaram 21% entre janeiro de 2025 e fevereiro deste ano, e o pão de forma ficou 4,3% mais caro.

Cortes em entretenimento e viagens

Agora, os americanos estão reduzindo gastos com entretenimento e viagens para conseguir colocar comida na mesa. Cerca de 75% afirmam ter cortado despesas em outras áreas para conseguir pagar pelas compras de supermercado, segundo uma pesquisa de 2025 realizada pela Swiftly.

No início deste mês, o CEO da rede de descontos Dollar General, Todd Vasos, revelou que os clientes da empresa estão reduzindo a compra de alimentos e de outros produtos domésticos. Isso parece representar uma intensificação dos alertas já feitos por empresas do setor alimentício, que diziam que os consumidores estavam procurando promoções, mas continuavam comprando a mesma quantidade de alimentos. Agora, até mesmo os clientes das lojas de desconto estão diminuindo o volume de produtos adquiridos.

“Nosso cliente principal continua enfrentando restrições financeiras”, disse Vasos a analistas. “Essa pressão tem sido mais intensa para clientes de comunidades rurais, que procuram reduzir a distância de seus deslocamentos e fazer concessões em busca de preços acessíveis e melhor custo-benefício no dia a dia.”

Ricos também adotam economia extrema

Até mesmo aqueles considerados ricos por ganharem mais de US$ 100 mil por ano estão adotando hábitos de economia extrema. Mais de sete em cada dez pessoas com renda de seis dígitos agora fazem compras em supermercados de desconto para economizar dinheiro, segundo um relatório de 2025 da Clarify Capital.

As dificuldades financeiras estão afetando diversas áreas de suas vidas: cerca de 74% disseram estar reduzindo gastos com restaurantes, 54% estão cortando despesas com entretenimento, 51% estão economizando na compra de roupas, 49% estão reduzindo assinaturas e 49% estão gastando menos com viagens.

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“Na economia atual, a renda por si só não garante tranquilidade financeira”, afirmou o relatório da Clarify Capital. “Pessoas com rendimentos elevados estão sentindo os efeitos da inflação, sofrendo pressão social e refletindo mais sobre o que realmente significa ter uma boa condição financeira.”