As chuvas intensas que atingem Minas Gerais estão atrasando a colheita do café, provocando uma alta de mais de 13% no preço do grão arábica e 16% no robusta em menos de um mês. A trégua que os consumidores vinham experimentando nos preços do café pode durar pouco, segundo analistas do setor.
Impacto imediato nas cotações
Nas fazendas, as cotações do café arábica subiram mais de 13% em menos de 30 dias. O avanço é ainda maior para o robusta, com alta de 16% no mesmo período. A combinação de chuvas excessivas, baixos estoques mundiais e especulação no mercado de futuros pressiona os preços para cima.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), os estoques mundiais estão nos menores níveis dos últimos cinco anos, o que amplifica o impacto de qualquer atraso na safra brasileira. O Brasil é o maior produtor e exportador global de café.
El Niño gera incertezas
Além das chuvas atuais, o setor se preocupa com a formação do fenômeno El Niño, que pode afetar a próxima safra. O El Niño tende a provocar chuvas irregulares e temperaturas mais altas em regiões produtoras, o que pode reduzir a produtividade dos cafezais.
“O El Niño traz uma grande incerteza para a safra 2027. Se confirmado, podemos ter uma quebra significativa na produção”, afirmou João Santos, analista de mercado do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Cenário para o consumidor
Nos supermercados, os preços do café moído já começam a refletir a alta das cotações no campo. Em junho de 2026, o preço médio do café torrado e moído estava em queda, mas a tendência se reverteu nas últimas semanas. Especialistas projetam que o repasse ao consumidor deve ocorrer em até 30 dias.
A ABIC recomenda que os consumidores fiquem atentos às promoções e evitem estoques excessivos, pois os preços podem continuar subindo nos próximos meses.



