Arábia Saudita corta preço do petróleo para Ásia em maior queda desde 2000
Arábia Saudita corta preço do petróleo para Ásia em queda recorde

A Arábia Saudita cortou com força o preço do seu principal petróleo vendido à Ásia e voltou a oferecer barris com desconto pela primeira vez desde a guerra de preços de 2020, em um momento de aumento da oferta global e disputa mais acirrada por compradores.

Maior corte mensal desde 2000

A estatal Saudi Aramco reduziu em US$ 11 por barril o preço do Arab Light para carregamento no próximo mês, para US$ 1,50 abaixo da referência regional, segundo tabela divulgada nesta segunda-feira. Foi a maior queda mensal no preço oficial de venda desde, pelo menos, 2000. As únicas outras vezes em que o tipo foi comercializado com desconto ocorreram nas guerras de preços de 2020 e 2015.

Pressão sobre o mercado físico

O corte reforça a velocidade com que produtores do Golfo Pérsico elevaram os embarques pelo Estreito de Ormuz após o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, aumentando a pressão sobre o mercado físico. Nas últimas semanas, o Brent devolveu todos os ganhos acumulados durante o conflito, enquanto cargas físicas passaram a ser negociadas com descontos que não eram vistos desde a pandemia.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Mesmo com a redução acima do esperado, compradores asiáticos afirmaram que o petróleo saudita ainda segue mais caro do que cargas de outros produtores da região disponíveis para compra imediata no mercado spot. O movimento indica que pode haver espaço para novos cortes, caso a oferta continue elevada.

Papel da Arábia Saudita no equilíbrio do mercado

Há décadas, a Arábia Saudita atua como peça central no equilíbrio do mercado global de petróleo, elevando ou reduzindo a produção conforme as condições de oferta e demanda. Embora tenha protagonizado duas guerras de preços nos últimos 15 anos, o país também já restringiu a produção em diferentes momentos para sustentar as cotações. Agora, o reino vem aumentando gradualmente sua oferta dentro dos acordos firmados pela Opep+.

O acordo provisório entre EUA e Irã permitiu que os produtores do Golfo ampliassem as exportações ao mesmo tempo em que barris antes represados voltaram a sair por Ormuz. Com parte das soluções improvisadas adotadas durante a guerra ainda em vigor — e com a demanda chinesa mais fraca —, uma nova onda de petróleo chegou ao mercado internacional.

Analistas veem ajuste, não guerra de preços

Os cortes para carregamentos de agosto “refletem o excesso de cargas para entrega imediata”, afirmou Ahmed Mehdi, analista da Renaissance Energy Advisors. Para ele, o movimento não indica uma nova guerra de preços, mas sim um ajuste provocado pela “normalização conturbada” do fluxo em Ormuz. “A precificação precisa ser competitiva o bastante para reacender o interesse da China”, disse.

Ainda assim, a magnitude do corte saudita deve aumentar as dúvidas sobre até que ponto outros produtores do Oriente Médio também serão obrigados a reduzir preços para defender mercado. As tabelas oficiais de venda de outros países da região devem ser divulgadas nos próximos dias.

Redirecionamento de fluxo e cortes para outras regiões

Antes da guerra, a maior parte do petróleo saudita era embarcada pelo Golfo Pérsico. Com o bloqueio de fato em Ormuz, porém, a Aramco redirecionou parte do fluxo para sua instalação em Yanbu, no Mar Vermelho. Nos últimos dias, a estatal também vendeu algumas cargas no mercado spot — um movimento incomum — à medida que retomava o escoamento de embarques que haviam ficado retidos na região.

Para compradores da Europa, a Aramco cortou em US$ 15 por barril os preços de todas as suas variedades. Para os Estados Unidos, a redução foi de US$ 8 por barril.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar