Acordo EUA-Irã derruba petróleo; impactos no Brasil e no mundo
Acordo EUA-Irã derruba petróleo; veja impactos no Brasil

O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, anunciado neste domingo, provocou uma queda acentuada nos preços do petróleo, impactando diretamente ações da Petrobras e da PRIO, que caíram até 5% nesta segunda-feira. O mercado financeiro reage com cautela, enquanto analistas avaliam os desdobramentos para a economia global e brasileira.

Impactos no mercado de petróleo e ações

O barril do petróleo tipo Brent recuou mais de 4% nas primeiras horas de negociação, refletindo a expectativa de aumento da oferta iraniana no mercado global. A Petrobras, que vinha se beneficiando dos preços elevados, viu suas ações preferenciais (PETR4) caírem 4,8%, enquanto a PRIO (PRIO3) recuou 5,2%. Outras empresas do setor, como a 3R Petroleum, também registraram perdas.

Especialistas apontam que o alívio nos preços do petróleo pode ter efeitos positivos sobre a inflação, especialmente no Brasil, onde os combustíveis têm grande peso no IPCA. No entanto, alertam que a queda ainda é volátil e depende da implementação efetiva do acordo.

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Juros futuros e expectativa de Selic

No mercado de juros futuros, a curva de DI passou a precificar maior probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom. A XP Investimentos, em relatório, manteve a projeção de Selic a 14,25% ao final do ciclo, mas destacou que o acordo pode dar mais espaço para o Banco do Mundo reduzir os juros, embora com cautela devido aos riscos fiscais.

“O fim da guerra reduz pressões inflacionárias de curto prazo, mas o Comitê de Política Monetária deve aguardar a confirmação dos efeitos antes de acelerar o afrouxamento”, afirmou o economista-chefe da XP, Caio Megale.

Reações do governo brasileiro

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elogiou o acordo e disse que ele contribui para a estabilidade global. “A paz sempre é bem-vinda para a economia. Isso tende a reduzir incertezas e melhorar o ambiente de negócios”, declarou. Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, evitou comentários diretos, mas fontes indicam que a instituição monitora os desdobramentos com atenção.

Efeitos no agronegócio e na renda fixa

O setor agrícola também sentiu os reflexos: os leilões de propriedades rurais no Brasil dispararam, impulsionados pelo avanço da dívida rural e pela busca por ativos reais em meio à queda dos juros futuros. Na renda fixa, CDBs, LCIs e LCAs passaram a oferecer taxas ligeiramente menores, mas ainda atrativas para investidores conservadores.

Analistas recomendam cautela: “O cenário é positivo, mas não podemos esquecer que a guerra na Ucrânia e as tensões comerciais com os EUA ainda representam riscos. A diversificação continua sendo a melhor estratégia”, orienta a sócia da Kapitalo Investimentos, Ana Paula Vescovi.

Perspectivas para o mercado internacional

Nos Estados Unidos, o acordo foi recebido com otimismo por investidores, mas a ameaça tarifária do presidente Trump contra a Europa gerou inquietação entre líderes do G7, que se reúnem nesta semana. Na Europa, a recuperação econômica pós-guerra ainda enfrenta obstáculos, com destaque para o rearmamento da Alemanha e do Japão, 80 anos após a Segunda Guerra Mundial.

Na China, o minério de ferro subiu com preocupações sobre a oferta australiana, enquanto o mercado de ações asiático operou misto. Já no Oriente Médio, a retomada do fluxo no Estreito de Ormuz deve ser gradual e levar semanas, segundo analistas.

O que esperar daqui para frente

O acordo entre EUA e Irã representa um marco geopolítico, mas sua implementação ainda depende de negociações técnicas e da aprovação do Congresso americano. Para o Brasil, os efeitos imediatos são positivos, mas a volatilidade deve persistir. Investidores devem ficar atentos aos próximos passos do Copom e às sinalizações fiscais do governo.

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