Na madrugada de sábado (4), um homem de 24 anos foi preso em flagrante pela Guarda Civil Municipal (GCM) no bairro Jardim Itamarati, em Botucatu (SP), após agredir uma mulher de 25 anos por motivos de intolerância e preconceito religioso. Durante a abordagem, ele também destruiu parte de uma viatura policial.
Detalhes do crime
De acordo com o boletim de ocorrência, equipes da GCM realizavam patrulhamento por volta das 3h15 quando foram acionadas. No local, os agentes encontraram a vítima e uma testemunha em frente à residência. A mulher apresentava sangramentos, principalmente na região do rosto.
A vítima relatou que houve uma discussão e que o agressor arrancou à força uma guia religiosa, colar utilizado como instrumento de proteção dentro do Candomblé, religião de matriz africana. Em seguida, ele passou a agredi-la com socos e chutes. Ainda segundo o depoimento, o homem a agrediu aproveitando-se também do fato de a vítima ser mulher, ressaltando que não teria agido da mesma forma se o adereço religioso estivesse com um homem.
Confirmação da intolerância
A própria mãe do suspeito confirmou aos policiais que o filho não aceitava a religião da jovem. Durante o desentendimento, o primo do agressor tentou intervir. Os dois se empurraram e o parente acabou atingindo o nariz do suspeito com um capacete de forma não intencional. Nenhum dos familiares, contudo, manifestou interesse em registrar queixa por essa briga paralela.
Os envolvidos foram levados ao Pronto-Socorro Adulto (PSA) Municipal e depois encaminhados para atendimento médico na Unesp, onde foram medicados e liberados.
Danos à viatura e confissão
Durante o trajeto até a unidade de saúde, o suspeito passou a causar tumulto dentro da viatura da GCM e deu chutes contra o tampão traseiro do veículo, chegando a entortar e danificar a estrutura. Na delegacia, ao ser questionado pelos policiais civis, o próprio jovem admitiu abertamente que possui comportamento intolerante e preconceituoso em relação ao Candomblé praticado pela vítima.
Enquadramento legal
O caso foi registrado como lesão corporal praticada contra a mulher em decorrência do sexo feminino, dano qualificado contra o patrimônio público e prática de discriminação ou preconceito religioso (equiparado ao crime de racismo). O homem foi encaminhado à Central de Custódia de Botucatu, onde permaneceu preso à disposição da Justiça e aguarda a audiência de custódia.



