A empresa sul-coreana InnoSpace anunciou, nesta segunda-feira (6), a assinatura de um contrato com a estatal brasileira ALADA para realizar um voo de teste do foguete suborbital SEBIT no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O lançamento, previsto para o segundo semestre de 2026, faz parte do movimento de ampliação do uso comercial de Alcântara por empresas privadas do setor espacial.
O que é a ALADA?
A Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. (ALADA) é uma empresa pública federal, subsidiária da NAV Brasil, estatal vinculada ao Ministério da Defesa. Sua criação foi autorizada pela Lei nº 15.083, de 2025, e formalizada em julho do mesmo ano. A ALADA tem como objetivo atuar em projetos aeroespaciais, explorar economicamente a infraestrutura e a navegação aeroespaciais do país, desenvolver e comercializar tecnologias do setor e apoiar a cooperação entre o governo brasileiro, empresas nacionais e companhias estrangeiras.
SEBIT: segundo foguete comercial lançado no Brasil
Se realizado como previsto, o lançamento fará do SEBIT o segundo foguete comercial lançado no Brasil. O primeiro foi o Hanbit-Nano, também da InnoSpace, que decolou de Alcântara em 23 de dezembro de 2025, mas sofreu uma falha durante o voo e foi destruído. O acidente não deixou feridos. O SEBIT é um foguete suborbital multi-propósito, desenvolvido para realizar testes de carga útil, verificação de tecnologias e missões de pesquisa. Seu voo acontece próximo ao limite do espaço, sem entrar na órbita terrestre.
Objetivos do teste
Segundo o comunicado da empresa, o teste em Alcântara servirá para verificar o desempenho de voo e a estabilidade operacional do SEBIT. A companhia também pretende usar os dados obtidos para aperfeiçoar o desenvolvimento técnico do veículo, ampliar a confiabilidade dos lançamentos e, no futuro, oferecer serviços de teste e verificação suborbital a instituições de pesquisa e empresas nacionais e internacionais.
Kim Su-jong, CEO da InnoSpace, afirmou que o SEBIT foi desenvolvido para atender à crescente demanda por pesquisas científicas e demonstrações de tecnologias espaciais em diferentes setores, como biotecnologia, medicina, novos materiais e sistemas de orientação, navegação e controle. Segundo ele, o contrato para uso da área de lançamento representa um marco importante na preparação da empresa para a oferta de serviços comerciais em larga escala.
Características do foguete
O modelo tem um motor híbrido com 3 toneladas de empuxo e sistema integrado de telemetria, tecnologia usada para transmitir e analisar em tempo real informações como a posição do foguete e o status da carga útil durante o voo. O nome SEBIT faz referência à ideia de ‘luz precisa e delicada’.
Investigação do acidente anterior
Em junho de 2025, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório final da investigação sobre a falha do Hanbit-Nano. Segundo o órgão, o foguete apresentou comportamento normal nos instantes iniciais do voo, mas sofreu uma falha cerca de 33 segundos após a decolagem. Houve vazamento de gases de combustão na parte frontal da câmara de combustão do motor do primeiro estágio, provocando a ruptura da estrutura e a perda do veículo lançador. A investigação concluiu que a falha foi causada por problemas de vedação identificados após a remontagem de componentes durante os preparativos para o lançamento. A compressão insuficiente e a deformação de elementos de vedação, depois da substituição de um plugue da câmara de combustão, permitiram o escape de gases quentes, levando à falha catastrófica. O acidente não deixou feridos e os danos materiais ficaram restritos à área de segurança prevista para a operação. A divulgação do relatório marcou a conclusão da primeira investigação de uma ocorrência espacial conduzida pelo Cenipa desde que o órgão passou a atuar como responsável pelo Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes em Atividades Espaciais (Sipae).



