Longas filas em postos de gasolina tornaram-se cena comum em diversas regiões da Rússia, da Crimeia à Sibéria, após uma série de ataques ucranianos a refinarias russas. A escassez de combustível, descrita por moradores como 'um choque completo', rompe um dos pilares da sensação de estabilidade que o Kremlin cultivou desde o início da guerra.
Escassez se espalha pelo país
Motoristas enfrentam horas de espera para abastecer, e muitos postos impõem limites de compra ou simplesmente fecham por falta de gasolina. A crise atingiu até mesmo Moscou, onde filas se formaram em postos da estatal Rosneft. 'Nunca vi algo assim', disse um motorista à agência de notícias russa TASS. 'É como se a guerra tivesse chegado à nossa porta.'
Ataques ucranianos como causa
Os ataques com drones e mísseis ucranianos atingiram pelo menos dez refinarias russas nas últimas semanas, reduzindo a capacidade de refino em cerca de 15%, segundo estimativas de analistas. A Ucrânia intensificou os bombardeios contra a infraestrutura energética russa como parte de sua estratégia para minar a economia de guerra do país.
Reação do governo e medidas emergenciais
Autoridades russas admitem negociar importações de petróleo de países vizinhos e consideram flexibilizar normas de qualidade para a gasolina, permitindo o uso de combustível com especificações menos rigorosas. O presidente Vladimir Putin, em pronunciamento, minimizou a crise, atribuindo-a a 'problemas logísticos temporários'. No entanto, a insatisfação popular cresce, com relatos de protestos espontâneos em algumas cidades.
Impacto na economia e no cotidiano
A escassez de combustível já afeta o transporte de mercadorias e o funcionamento de serviços essenciais. Agricultores relatam dificuldades para colher safras, e empresas de logística alertam para possíveis aumentos de preços. A crise também expõe a dependência russa de refinarias vulneráveis a ataques, algo que o Kremlin tentava ocultar da população.



