China quer estimular consumo em seu primeiro plano quinquenal
China estimulará consumo em novo plano quinquenal

A China anunciou seu primeiro plano quinquenal voltado exclusivamente para estimular o consumo, sinalizando uma mudança estratégica na política econômica do país. O documento, divulgado nesta segunda-feira pelo Conselho de Estado, estabelece metas para aumentar a participação do consumo no Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos cinco anos, como parte dos esforços para reequilibrar a economia e reduzir a dependência de exportações e investimentos.

Detalhes do plano

O plano prevê medidas para expandir a renda das famílias, melhorar a proteção social e facilitar o acesso ao crédito. Entre as ações concretas estão o aumento do salário mínimo, a ampliação de programas de transferência de renda e a simplificação de procedimentos para empréstimos ao consumidor. O governo também pretende investir em infraestrutura de serviços, como saúde e educação, para reduzir a poupança precaucional e liberar recursos para o consumo.

Segundo o documento, a meta é que o consumo represente pelo menos 60% do PIB até 2031, ante cerca de 54% atualmente. A China tem uma das menores taxas de consumo como proporção do PIB entre as grandes economias, reflexo de um modelo de crescimento historicamente baseado em investimentos e exportações.

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Contexto econômico

A iniciativa ocorre em meio a um cenário de desaceleração econômica, com o PIB chinês crescendo 4,5% no primeiro semestre, abaixo da meta oficial de 5% para 2026. O comércio exterior enfrenta pressões devido a tarifas impostas por parceiros comerciais, especialmente os Estados Unidos, e a demanda global enfraquecida. O governo espera que o estímulo ao consumo ajude a compensar esses ventos contrários.

“Este plano representa uma virada importante na estratégia de desenvolvimento da China. Pela primeira vez, o consumo é colocado no centro da política econômica de médio prazo”, afirmou Li Qiang, primeiro-ministro chinês, durante a apresentação do plano. “Nosso objetivo é construir uma sociedade mais próspera, onde o crescimento seja impulsionado pela demanda interna e pelo bem-estar do povo.”

Medidas específicas

O plano inclui a redução de impostos sobre produtos de consumo popular, como eletrodomésticos e veículos, e a expansão de subsídios para compra de carros elétricos. Também prevê a criação de um fundo de estabilização do consumo, com aporte inicial de 500 bilhões de yuans (cerca de R$ 380 bilhões), para apoiar setores estratégicos em momentos de crise.

No setor de serviços, o governo planeja flexibilizar regras para o turismo interno e incentivar o desenvolvimento de plataformas digitais de comércio eletrônico. A expectativa é que essas medidas gerem até 10 milhões de novos empregos no setor de serviços nos próximos cinco anos.

Desafios e perspectivas

Analistas apontam que o sucesso do plano dependerá da capacidade do governo de aumentar a confiança do consumidor e reduzir a desigualdade de renda. A taxa de poupança das famílias chinesas é uma das mais altas do mundo, em torno de 35% da renda disponível, o que limita o impacto de estímulos ao consumo.

“Mudar o comportamento de consumo dos chineses não será fácil. A cultura de poupança está profundamente enraizada, e muitos ainda preferem guardar dinheiro para emergências”, comentou Zhang Wei, economista do Banco Asiático de Desenvolvimento. “No entanto, as medidas de proteção social podem ajudar a reduzir essa incerteza e liberar o potencial de consumo.”

O plano quinquenal também enfrenta o desafio de ser implementado em um ambiente de endividamento elevado de governos locais e empresas estatais, o que pode limitar a capacidade de investimento público. O governo prometeu coordenar políticas fiscais e monetárias para garantir a execução das metas.

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