Centenas de supremacistas brancos, integrantes da milícia Frente Patriótica, marcharam no sábado (4) em Washington durante as comemorações dos 250 anos da Independência dos EUA, em uma demonstração que expõe a polarização extrema do país. Diferentemente da Ku Klux Klan do século passado, que usava capuzes pontudos e vestes brancas, os ativistas modernos usam máscaras brancas, óculos escuros e bonés de beisebol, e são acolhidos pelo movimento MAGA, que sustenta o presidente Donald Trump.
Marcha e símbolos de ódio
Os manifestantes agitaram bandeiras confederadas ou hasteadas de cabeça para baixo, gritando “Reconquistem a América!” e “Vida, Liberdade, Vitória”. A Frente Patriótica, criada em 2017 no Texas pelo ativista Thomas Rousseau — que liderou a marcha —, é um dos principais grupos supremacistas do país e defende transformar os EUA em um Estado étnico branco, preservando a origem europeia. Conceitos como multiculturalismo, imigração e diversidade são vistos como ameaças à sua visão de nação. O grupo também propaga a teoria da conspiração “Grande substituição”, que alega um complô democrata para substituir o eleitorado branco por imigrantes de outras raças.
Imagem viral e paralelo com Rosa Parks
Uma foto do fotógrafo Cheney Orr, da Reuters, retratou uma mulher negra apreensiva cercada por dezenas de supremacistas num banco do metrô de Washington. A imagem rapidamente viralizou por lembrar a cena vivida pela ativista Rosa Parks durante a segregação racial. “Acho que a foto dessa mulher será uma imagem definidora deste momento nos EUA por muito, muito tempo”, disse Melanie D'Arrigo, diretora executiva da ONG Campaign for New York Health, no X.
Fortalecimento da extrema direita
Grupos de extrema direita se fortaleceram no primeiro mandato de Trump, após a marcha de Charlottesville, na Virgínia, em 2017, quando protestavam contra a remoção da estátua do general Robert E. Lee. Na ocasião, um ativista atropelou um grupo de manifestantes pacíficos, matando uma mulher e ferindo dezenas. Trump acirrou os ânimos ao afirmar que havia “pessoas muito boas dos dois lados”. Em seu segundo mandato, um dos primeiros atos foi indultar 1.600 simpatizantes condenados pelo ataque ao Capitólio, em janeiro de 2021, incluindo líderes dos grupos neofascistas Proud Boys e Oath Keepers.
Resposta do governo
O respaldo do governo se encaixa na forma como a Frente Patriótica reapareceu e circulou livremente em Washington durante as comemorações. O secretário do Interior, Doug Burgun, minimizou a presença ostensiva da milícia, citando o princípio da liberdade de expressão, “ainda que isso torne a democracia imperfeita”. “Vivemos num país onde alguém pode se candidatar e ser eleito dizendo ser comunista, porque prezamos a vida e a liberdade e não a morte e a tirania que sabemos que o comunismo trouxe para o país e para a história”, justificou Burgun, recusando-se a condenar a Frente Patriótica. Pela lógica do secretário, supremacistas brancos e pessoas “que dizem coisas repreensíveis” sobre Trump se equivalem e são protegidos pela liberdade de expressão.



