Macron diz que missão no Estreito de Ormuz pode começar em 2 a 3 dias
Macron: missão no Estreito de Ormuz em 2 a 3 dias

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda-feira (15) que a missão anunciada por ele e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, para garantir a segurança no Estreito de Ormuz após o fim da guerra entre Estados Unidos e Irã pode ser implementada de dois a três dias após a assinatura do acordo entre os dois países. O líder francês disse que, além de seu país e do Reino Unido, Itália e Holanda também estão prontos para ajudar na missão.

Detalhes da missão

Macron declarou ainda que o G7 fará tudo para garantir a normalização do tráfego marítimo na rota e defendeu que sua reabertura "deve ser feita sem pedágios". Segundo uma fonte da agência de notícias iraniana Fars, Teerã adicionou uma cláusula sobre a imposição de taxas de serviços marítimos para embarcações que desejarem trafegar pelo estreito de Ormuz ao acordo com os Estados Unidos, pouco antes de seu anúncio. "Nos momentos finais das negociações, o texto do memorando de entendimento foi alterado para enfatizar de forma clara e explícita a questão da soberania iraniana-omani sobre o Estreito de Ormuz. O uso do termo 'serviços marítimos' significa que os Estados Unidos aceitaram que taxas serão pagas ao Irã", disse a agência, citando a fonte anônima.

Reações internacionais

O presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, comemoraram o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz e anunciaram que uma missão neutra e independente será criada para garantir que ele permaneça aberto nesta sexta-feira (17). Os dois líderes europeus, que reuniram colegas de vários países em uma reunião para debater a questão, anunciaram que uma dúzia de países está pronta para contribuir com recursos para uma missão defensiva destinada a restaurar a liberdade de navegação na rota marítima, por onde passam 20% de toda a produção mundial de petróleo. "Vamos avançar com isso em uma conferência sobre o plano militar em Londres na próxima semana, onde anunciaremos mais detalhes sobre a composição da missão, e mais de uma dúzia de países já se ofereceram para contribuir com recursos. Reabrir o estreito é uma necessidade global e uma responsabilidade global", disse Starmer a repórteres ao lado dos líderes da França, Alemanha e Itália.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Macron declarou ainda que "nenhuma privatização" da rota marítima será aceita — relatos divulgados pela imprensa dizem que tanto Irã quanto os EUA cogitaram cobrar pedágio pela passagem de embarcações — e que "os acontecimentos recentes são encorajadores, mesmo que devamos manter a prudência".

Pressão sobre o Irã

Macron e Starmer têm liderado esforços internacionais para aumentar a pressão diplomática e econômica sobre o Irã. Starmer acusou o país de "manter a economia mundial refém". Já o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou a tensão ao anunciar um bloqueio retaliatório contra portos iranianos.

Representantes dos Estados Unidos não estiveram presentes no encontro e o presidente do país, Donald Trump, alfinetou os planos resultantes da cúpula em um post na rede Truth Social: "Agora que a situação no Estreito de Ormuz acabou, recebi uma ligação da Otan perguntando se precisaríamos de alguma ajuda. Eu disse a eles para ficarem longe, a menos que queiram apenas encher seus navios com petróleo. Eles foram inúteis quando necessário, um tigre de papel!".

Críticas de Trump à Otan

Desde o começo da guerra contra o Irã, no dia 28 de fevereiro, Trump vem fazendo duras críticas à Otan. O presidente norte-americano ficou insatisfeito com a negativa recebida dos outros países da aliança para ajudar no desbloqueio do Estreito de Ormuz. Na quarta-feira (15), ele afirmou: "A Otan não esteve lá por nós, e não estará lá por nós no futuro". No dia 1º de abril, disse que estava considerando 'seriamente' tirar os EUA da Organização do Tratado do Atlântico Norte em entrevista ao jornal britânico "The Telegraph".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Cúpula em Paris

A França e a Grã-Bretanha presidiram a reunião em Paris com 49 países para discutir os preparativos para uma possível missão defensiva multinacional para proteger a navegação no Estreito de Ormuz, assim que as condições permitirem. O encontro faz parte de uma tentativa de países que ficaram à margem do conflito de reduzir os impactos de uma guerra que não iniciaram nem integram, mas que abalou a economia global. Desde o início do confronto, em 28 de fevereiro, o Irã fechou, na prática, o estreito por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Os Estados Unidos não participam do planejamento da chamada Iniciativa de Liberdade de Navegação Marítima no Estreito de Ormuz.

Em publicação na rede X antes da conferência, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a missão para garantir a segurança da navegação será "estritamente defensiva", restrita a países não envolvidos no conflito e executada "quando as condições de segurança permitirem". O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que enfrenta dificuldades políticas internas, foi recebido por Macron no Palácio do Eliseu na tarde desta sexta.

Macron e Starmer têm liderado esforços internacionais para aumentar a pressão diplomática e econômica sobre o Irã. Starmer acusou o país de "manter a economia mundial refém". Já o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou a tensão ao anunciar um bloqueio retaliatório contra portos iranianos. "A reabertura incondicional e imediata do estreito é uma responsabilidade global, e precisamos agir para que energia e comércio voltem a fluir livremente", disse Starmer antes da reunião.