O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou para Buenos Aires nesta quinta-feira (27) para participar de um evento conservador e se encontrar com o presidente argentino Javier Milei. A viagem ocorre após uma semana marcada por um conflito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que gerou repercussões negativas e ameaçou desgastar sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026.
Viagem estratégica para reposicionamento internacional
Flávio, que é pré-candidato ao Planalto, busca recolocar sua campanha na agenda internacional após o episódio de tensão familiar. O evento conservador em Buenos Aires reúne lideranças da direita latino-americana e deve servir como palco para o senador reforçar seu alinhamento ideológico com Milei, presidente argentino de ultradireita. Segundo assessores, Flávio também planeja novas ações nos Estados Unidos para abordar questões comerciais e ampliar o apoio internacional à sua candidatura.
A crise com Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e figura influente no eleitorado conservador, foi motivada por divergências sobre a condução da campanha e a exposição pública de Flávio. Nos bastidores, aliados avaliam que a viagem à Argentina é uma tentativa de demonstrar capacidade de articulação externa e desviar o foco das tensões domésticas.
Encontro com Milei e a direita regional
O encontro com Javier Milei está previsto para ocorrer durante o evento, que conta com a presença de parlamentares, empresários e ativistas conservadores. Milei, que assumiu a presidência argentina em dezembro de 2023, é um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e já compartilhou discursos de Flávio em suas redes sociais durante uma viagem a Israel. A aproximação com o líder argentino é vista como estratégica para Flávio, que tenta se consolidar como herdeiro político do bolsonarismo.
“A Argentina é um parceiro fundamental para a direita brasileira. Vamos discutir pautas como liberdade econômica, combate ao socialismo e defesa dos valores familiares”, afirmou Flávio em nota divulgada antes do embarque. A declaração busca acenar ao eleitorado conservador, base eleitoral do bolsonarismo.
Impacto na pré-campanha e próximos passos
A viagem ocorre em um momento delicado para Flávio, que enfrenta resistências internas no PL e precisa equilibrar as demandas da campanha com a gestão de sua imagem pública. A crise com Michelle expôs fragilidades na articulação familiar e gerou dúvidas entre aliados sobre a capacidade do senador de unificar o campo conservador. Ainda assim, a agenda internacional é vista como um trunfo para angariar apoios e projetar uma imagem de estadista.
Após a passagem por Buenos Aires, Flávio pretende viajar aos Estados Unidos em julho para encontros com investidores e representantes do governo americano. O foco será a pauta comercial, especialmente em áreas como agronegócio e energia. A estratégia, segundo a equipe de campanha, é mostrar que o pré-candidato tem trânsito internacional e pode defender os interesses do Brasil no exterior.
A expectativa é que o encontro com Milei produza frutos concretos, como acordos de cooperação ou declarações conjuntas, que possam ser usados na campanha. No entanto, analistas políticos apontam que a viagem pode ser ofuscada pela crise familiar se Flávio não conseguir conter os desdobramentos do conflito com Michelle.



