Eleição no Peru: apuração lenta gera incerteza sobre próximo presidente
Eleição no Peru: apuração lenta gera incerteza

Apuração no Peru se arrasta e mantém país em suspense

Há quatro dias, o Peru realiza a apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais, mas o país ainda não sabe quem será o próximo presidente: o deputado de esquerda Roberto Sánchez ou a líder direitista Keiko Fujimori. Às 0h desta quinta-feira (10), com virtualmente 98% das urnas apuradas, a diferença entre os dois candidatos é de pouco menos de 7 mil votos a favor de Sánchez. O deputado de esquerda está à frente com 50,019% dos votos, enquanto a conservadora tem 49,981%.

Linha do tempo da apuração

Os primeiros dados oficiais foram divulgados por volta das 22h de domingo (7) pelo órgão eleitoral peruano: Keiko Fujimori largou na frente, cinco pontos percentuais à frente de Roberto Sánchez. A diferença entre os dois foi diminuindo à medida que a apuração avançava. Por volta das 7h de segunda-feira (8), Keiko tinha menos de um ponto de vantagem sobre Sánchez. Às 13h07 de segunda, no horário local, o candidato do Juntos pelo Peru ultrapassou Keiko. Desde então, Sánchez se mantém à frente. Nesta quarta, 98,207% das urnas do Peru já haviam sido abertas e contabilizadas. Já no exterior, a apuração está em 67,36%, com Keiko Fujimori bem à frente do adversário, com 62,46% dos votos contra 37,54%.

Por que a apuração demora tanto?

A autoridade eleitoral informou que a divulgação do resultado final pode demorar dias. A votação no Peru é feita com cédulas de papel, o que torna o processo mais lento. O país tem 27,33 milhões de eleitores aptos a votar. A demora gera ansiedade e incerteza, especialmente em um cenário de polarização política.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Desempenho regional dos candidatos

Confira no mapa o desempenho dos candidatos em cada região peruana nesta terça-feira (9): Mapa mostra votação de Roberto Sánchez e Keiko Fujimori em cada região do Peru. Sánchez tem vantagem em áreas rurais, enquanto Keiko lidera em regiões urbanas e no exterior.

Perfil dos candidatos

Keiko Fujimori concorre pelo partido Força Popular, legenda que fundou em 2008 para liderar a corrente fujimorista. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, a candidata disputa a presidência pela quarta vez, tendo sido derrotada no segundo turno nas eleições de 2011, 2016 e 2021. Na votação de primeiro turno em 2026, Keiko obteve 17,2% dos votos válidos.

O deputado Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, chegou ao segundo turno após obter 12% dos votos no primeiro turno. A base de apoio de Sánchez é identificada majoritariamente em zonas rurais e áreas afastadas das regiões urbanas.

Histórico e contexto eleitoral

As eleições de 2026 registraram um recorde de 35 candidatos à presidência no primeiro turno. O processo ocorre em um cenário no qual o Peru registrou 9 presidentes em 10 anos, sendo que os mandatos constitucionais deveriam ser de cinco anos. Dados de pesquisas indicam que 90% dos peruanos manifestam pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso Nacional. Além disso, apenas 10% dos peruanos afirmam estar satisfeitos com a democracia no país, situação que pesquisadores classificam como uma desconfiança crônica.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar