Cabeleireiro de Itapetininga é homenageado no Japão por trabalho social
Cabeleireiro de SP homenageado no Japão por trabalho social

O cabeleireiro Alef Faria, de 32 anos, morador de Itapetininga, interior de São Paulo, recebeu reconhecimento internacional e foi homenageado no Japão pelo seu trabalho voluntário com mulheres em situação de vulnerabilidade social. Ao longo dos últimos anos, ele realizou transformações de beleza gratuitas que fortaleceram a autoestima de dezenas de pessoas.

Reconhecimento internacional

Alef foi convidado pelo programa 'Tesouro de Ouro', que homenageia profissionais da área da beleza. 'Eu me senti muito honrado em receber essa notícia, pois é resultado de todo o meu trabalho social na cidade. Aqui, eles valorizam muito a conscientização', disse o cabeleireiro ao g1.

Esta não é a primeira vez que seu trabalho social é reconhecido. No ano passado, Alef viajou para Paris, na França, onde foi homenageado como um dos profissionais de destaque da área da beleza no Brasil. Para ele, o voluntariado vai além da profissão: é uma forma de demonstrar amor ao próximo.

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Experiência no Japão

Com 12 anos de atuação no setor, Alef participou de um evento no centro cultural de Kariya, que reuniu profissionais internacionais. 'Várias das minhas artes foram expostas. Inclusive, as autoridades japonesas me cumprimentaram durante a exposição', contou.

Em sua primeira visita ao Japão, ele apresentou os trabalhos desenvolvidos no Brasil e demonstrou produtos utilizados em seus atendimentos. Em uma das palestras, falou para um público de aproximadamente 5 mil pessoas. 'O que teve mais destaque foi o nosso tratamento de alisamento, pois deixa o cabelo brasileiro com um aspecto dos fios japoneses.'

Impacto do trabalho social

Há quatro anos, Alef viralizou na internet ao divulgar o projeto 'dia de beleza', que oferecia cuidados estéticos a mulheres que trabalham recolhendo materiais recicláveis. Ele registrava todas as etapas das transformações, desde a abordagem até o momento em que elas se viam no espelho.

'Elas são selecionadas ou indicadas por alguém. A gente percebe que todas têm uma história de vida sofrida. Mulheres trabalhadoras, guerreiras, que deixaram os próprios cuidados em segundo plano. Não é só questão estética. Quando se olham transformadas, elas se redescobrem e renovam a autoestima', afirmou.

Ainda em 2022, Alef promoveu uma campanha para comprar uma prótese ocular para uma catadora de recicláveis que havia perdido o olho em um acidente. Neste ano, também realizou a transformação de uma mulher que ganha a vida fazendo malabares nos semáforos de Itapetininga.

Viagem e perspectivas

Depois de 48 horas de voo para atravessar mais de 18 mil quilômetros entre Brasil e Japão, Alef chegou ao país para participar do evento, que ocorreu na segunda-feira (29). Ele volta ao Brasil em 15 de julho.

'A viagem foi um pouco cansativa, mas tudo valeu a pena. Se eu tentasse resumir isso em palavras, seria gratidão. O que eu estou sentindo é um misto de alegria, frio na barriga e medo. Afinal, representar o Brasil, que é um país tão tecnológico e moderno, é um peso muito grande que poucos conseguem', compartilhou.

Alef destacou a receptividade do público japonês. 'O que eu mais estou gostando da experiência é de não saber falar japonês e ter que me virar aqui. Está uma loucura.' Ele também mencionou possíveis parcerias futuras com a comunidade japonesa.

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